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quarta-feira, 4 de junho de 2014

HISTÓRIA DO BODE


A origem desta denominação data do ano de 1808. Porém, para saber
do seu significado temos necessidade de voltarmos no tempo. Por volta
do III ano d.C. vários Apóstolos saíram para o mundo a fim de
divulgar o cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da
Palestina. E lá, curiosamente, notaram que era comum ver um judeu
falando ao ouvido de um bode, animal muito comum naquela região.

Procurando saber o porquê daquele monólogo foi difícil obter
resposta. Ninguém dava informação, com isso aumentava ainda mais a
curiosidade dos representantes cristãos, em relação àquele fato.

Até que Paulo, o Apóstolo, conversando com um Rabino de uma aldeia,
foi informado, de que aquele ritual era usado para expiação dos
erros. Fazia parte da cultura daquele povo contar a alguém da sua
confiança, quando cometia, mesmo escondido, as suas faltas; ficaria
mais aliviado junto à sua consciência, pois estaria dividindo o
sentimento ou problema.

Mas por que bode? – Quis saber Paulo. É porque o bode é seu
confidente. Como o bode não fala o confesso fica ainda mais seguro de
que seus segredos serão mantidos, respondeu-lhe o Rabino. A Igreja,
trinta e seis anos mais tarde, introduziu, no seu ritual, o
confessionário, juntamente com o voto de silêncio por parte do padre
confessor – nesse ponto a história não conta se foi o Apóstolo
que levou a idéia aos seus superiores da Igreja; o certo é que ela
faz bem à humanidade, aliado ao voto de silêncio. O povo passou a
contar as suas faltas.

Voltemos a 1808, na França de Bonaparte, que após o golpe dos 18
Brumários, se apresentava como novo líder político daquele país. A
Igreja, sempre oportunista, uniu-se a ele e começou a perseguir todas
as instituições que não governo ou a Igreja.

Assim a Maçonaria, que era um fator pensante, teve seus direitos
suspensos e seus Templos fechados; proibida de se reunir. Porém,
irmãos de fibra na clandestinidade, se reuniram, tentando modificar a
situação do país.

Neste período, vários Maçons foram presos pela Igreja e submetidos
a terríveis inquisições.

Porém, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os Maçons.
Chegando a ponto de um dos inquisidores dizer a seguinte frase a seu
superior:

- “Senhor este pessoal (Maçons) parece “BODE”, por mais que eu
flagele não consigo arrancar-lhes nenhuma palavra”.

Assim, a partir desta frase, todos os Maçons tinham, para os
inquisidores, esta denominação: “BODE” – aquele que não fala
o que sabe guardar segredo.


JOSÉ CASTELLANI

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