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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

APRENDIZ ENTENDENDO O RITUAL



O objetivo Maçônico é o aprimoramento interior, para com isso melhorar seu relacionamento com a família, com o trabalho, com o Município, com o Estado e com a Humanidade. Para isso, precisamos olhar nossa liturgia, descobrindo o sentido e o objetivo do ritual, tendo a certeza que nada é dito ou feito por acaso, que não seja para facultar ao interessado, o descortinamento da Luz interior.
A metodologia Maçônica procura através da Liturgia dos seus Rituais de Aprendiz, Companheiro, Mestre e os Filosóficos, nos formatarem conhecimentos para o aprimoramento do nosso Interior, através de exercícios e fórmulas, que compreendidas, possibilitarão uma viagem iniciática interna, nos religando a energia Divina ou a iluminação da “Verdadeira Luz”.
Descreveremos de forma superficial alguns dos simbolismos que praticamos no Ritual do 1º Grau, para que os Irmãos depois façam a integração com os Rituais do 2º e 3º Graus, chegando as “finalidades mais elevadas”, como nos falam nossos Rituais.
Começaremos dando a informação que o nosso Templo é uma representação do microcosmo e do macrocosmo ao mesmo tempo. Como micro, é um corpo deitado em decúbito dorsal, com as pernas levantadas a 90º, onde a direita nós chamamos coluna J (Apr) e a esquerda coluna B (Comp), os braços de norte e sul, e a cabeça de Oriente (Mestr). Como macro é a própria Terra dividida em Norte, Sul, Leste e Oeste, situada no Universo, com todas as implicações das energias.
Dessas energias, a Maçonaria destaca quatro telúricas, que são também chamadas de Quatro Santos ou Devas que presidem os pontos cardeais, que segundo a tradição cristã são respectivamente os arcanjos Gabriel, Miguel, Rafael e Uriel e, na Maçonaria são tratados pelos seus nomes N, S, L e O.
É por isso que antes de iniciar nossos trabalhos, o Rito Adonhiramita determina que quatro Irmãos, representando os quatro pontos, os quatro Anjos, as quatro energias telúricas, adentrem ao Templo, e só eles, revigorem a chama sagrada, dentro da ritualística que todos conhecem: o Arquiteto se colocando a Nordeste forma um triângulo com o Mestre de Cerimônia e o Experto e invocam a graça do acendimento, trazendo as outras energias que nos chegam dos Cosmos.
Feito o acendimento, a Oficina passa a ter circulação do Grau. O Templo se transforma em Loja, em local sagrado com a presença da Luz Divina. Circulamos nos dois sentidos existentes para saturar todo o espaço da mais alta influência das correntes magnéticas que existem na Terra, e formar uma muralha para que essa magnetização se conserve. Temos a procissão em três colunas comandada pelo Mestre de Cerimônias, representando: Beleza – Norte; Força – Sul e Sabedoria – Oriente (centro).
No Hinduísmo são chamadas de Pingala (lado direito, J), Idâ (lado esquerdo, B), Sushumna (Oriente- centro).
O primeiro chamamento à reflexão é feito pelo M.’. Cer.’.: “se desde a meia noite, quando se encerraram os nossos últimos trabalhos, conservastes as mãos limpas, calçai as vossas luvas”. Nesse comento, avaliamos a nossa conduta. Se formos dignos de ser Maçons, se estamos limpos e puros para participar dos trabalhos junto com os Ir.’.. È uma rápida viagem de auto avaliação do Eu Interior.
Após, o segundo chamamento à meditação, para que todos se preparem espiritualmente para ingressar no Templo deixando toda a negatividade, os pensamentos impuros de fora. Para a entrada o Mestre de Cerimônia se coloca no centro da porta, permitindo que as duas colunas adentrem, mas impede a do centro com a sua posição, até que as duas colunas estejam compostas. Isso nos induz a reflexão que só devemos trabalhar o Centro, após ter dominado o lado direito (Apr) e o esquerdo (Comp). Com os lados direito e esquerdo formados, permite que a Col:. do meio adentre para o Oriente, completando o desenvolvimento e alcançando a Luz (Mestr).
No nosso rito, desenvolvemos primeiro o lado direito Apr.’. depois o esquerdo Comp.’., para finalmente, desenvolver o centro ou Câmara do Meio (M.’.). E ao adotarmos o tratamento de AMADOS IRMÃOS, procuramos impregnar no nosso inconsciente a vibração do AMOR para que todas as nossas células possam exalar AMOR, pois Maçonaria é acima de tudo AMOR.
Procede-se a Incensação que objetiva harmonizar o ambiente tornando-o propício ao trabalho, libertando nossas negatividades e propiciando a ascensão da consciência a um Plano Superior.
Após a Incensação, ainda permanecendo o efeito do incenso no ambiente, a chama sagrada é transportada para os três comandos com as invocações de “Sabedoria, Força e Beleza” que representam. O M:. CCer:. durante o ritual mentaliza expandir essa Luz, levando a todos a Centelha da Divindade, abrindo um canal de comunicação por onde flui a energia vinda dos Planos Superiores.
O Cobridor indagado das horas, mostra ser simbolicamente o momento, dando doze batidas, que como mantras, através da vibração das pancadas, quebram as negatividades que ainda perdurem no Templo, ao mesmo tempo em que estabelece com o Zodíaco um canal para que suas qualidades nos assistam.
Forma-se o Pálio para abrir o Livro da Lei, que representa a consciência do corpo que formamos. A leitura nos lembra de um João – Janus, o mito de duas caras ligado aos solstícios, também chamado “Portas do Céu”, indicando o momento da entrada, e nos fala da Luz da qual que ele é testemunha, para que todos cressem, e afirma “que ele não era a Luz, mas que veio para mostrar a Luz verdadeira que Alumia a todo homem que vem a este mundo”.
Passamos ao encerramento com o Interrogatório e aviso de fechamento. Aviso a todas as forças e energias para fechar o canal que se encontra aberto. Na seqüência, a Oração com o agradecimento devido por tudo o que foi realizado. Forma-se o Pálio e fecha-se o Livro da lei, a nossa consciência.
Vitor Xavier da Silva M.’.I.’. 33º
Delegado Litúrgico do ECMA
Membro do Comitê Litúrgico do Rito Adonhiramita da Grande Secretaria de Orientação Ritualística do GOSP.

 


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