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quinta-feira, 25 de julho de 2013

OS SÍMBOLOS, OS MITOS E O APRENDIZ


Meus Irmãos:
Ao fim de mais de ano e meio como Aprendiz, ao fazer a minha primeira prancha e logo no Solstício de Verão, sinto a responsabilidade de demonstrar tudo aquilo que deveria ter, não só aprendido, como introjectado, do conhecimento esotérico do Maçom que quero ser, na Maçonaria a que quero pertencer. Poderei assim construir o meu templo tal como construístes os vossos e formar a Cidade que é a nossa Irmandade.
Pensei que seria fácil. Oh santa ingenuidade!
Pensei, como semi-profano que ainda era que me sentia "Maçom Operativo", pois devido à minha profissão, ao gostar de manusear os utensílios ou "ferramentas" que utilizava para reconstruir "cirurgicamente" os Templos "corpóreos" dos meus semelhantes, era como que uma identificação com os primitivos Maçons Operativos que construíam ou reconstruíam Catedrais e Igrejas com o seu saber, o seu aperfeiçoamento na lide com as ferramentas do seu ofício e na entre ajuda com a sua equipa de construtores ou operários. Tal como eu fazia com a minha equipa cirúrgica.
Nada disto era ser Maçom, como hoje é concebido.
Atualmente baseamo-nos especulativamente nestas equipas medievais "Operativas" da construção dos Templos, como Símbolos para efetuar uma construção muito mais especial que é tentar descobrir e erigir o nosso Templo espiritual, o nosso Eu verdadeiro. Tarefa difícil, se não impossível. Para isso baseamos nos conhecimentos ANTIGOS, SECRETOS e PASSADOS, que nos foram transmitidos de boca em boca, de símbolo em símbolo, nessa língua secreta que alguns ainda "possivelmente" conhecem e transmitem, para que alguns a apreendam e a possam transmitir a quem provar compreendê-la.
Serei eu um dos possíveis escolhidos? Merecer-me-ei tal escolha?

Ter-me-ei a potencialidade, hombridade e inteligência para poder adquirir esse conhecimento para, mais tarde, o poder ensinar a outros?
Bem o desejo, mas deveras duvido.
Penso que poucos serão os escolhidos, pois a responsabilidade é muita e o Conhecimento deverá só passar para aqueles que conseguirem erigir o seu Templo devidamente bem estruturado, para só assim poderem ajudar os que necessitam de APRENDER.
Concebo os símbolos maçônicos ao meu nível de Aprendiz como as letras de um abecedário, para mais tarde os poder aprender a ler. Ao decorar os símbolos, decorarei as Letras e tentarei com elas escrever ou falar os Mitos Maçônicos. Começo assim a introjectar os símbolos para perceber os Ritos das cerimônias Maçônicas, não só das sessões em Loja, como os de todos os passos da Aprendizagem. Parece fácil ao escrever aqui aquilo que aprendemos com o 2.º Vig:. e nos livros da especialidade. Mas não é.
Quem está prático ao estudar cientificamente qualquer matéria baralha-se um pouco ao querer transferir o seu modo de estudar para estes ensinamentos, que, de uma maneira pseudo-prático-científica nos levam aos símbolos espirituais como ferramentas ou utensílios de construção de um Templo Transcendental.
Bem percebo por que nos ensinam que, ao entrarmos no Templo ou Loja, avancemos com os pés em esquadria, marcando o ângulo e sempre com o pé esquerdo em direção ao Oriente (Conhecimento), sendo o primeiro passo o mais curto (simbolizando o passo menor e incerto do Aprendiz); o segundo passo um pouco maior e mais firme (o do Companheiro que está mais seguro e identificado) e o terceiro passo maior e mais incisivo (o do Mestre, conhecedor e mais empreendedor). Confirmo na realidade que o meu passo e ainda incerto, curto e titubeante.
Depois, todo o simbolismo aprendido passo a passo, como o Avental que usamos branco e simples, do Iniciado Aprendiz, que indica o trabalho constante do Maçom na construção do seu Templo, que o protege de influências nocivas. As luvas brancas, símbolo da pureza espiritual e que também evoca que todos os Maçons devem sempre ter as mãos limpas e sem mácula. O fato preto com gravata preta, simbolizando o Luto pela morte de Hiram e, portanto o conceito de respeito que se deve ter em Loja.
Depois todos os outros simbolismos Maçônicos dos diversos utensílios ou ferramentas:
§  O esquadro, símbolo estático ou passivo, indicando a retidão moral, fundamental para nos auxiliar a transformar a pedra bruta, que somos ao iniciar a nossa Aprendizagem, em pedra cúbica, ou seja, em hexaedro perfeito, para se poder construir o nosso Templo com a perfeição desejada.
§  O compasso, símbolo ativo, móvel, portanto com uma ação espiritual, que nos dá a indicação do sentido dos limites.
No grau em que estamos de Aprendiz, como é natural, a Matéria (simbolizada pelo Esquadro) ainda se sobrepõe ao Espírito (simbolizado pelo Compasso) e assim o Esquadro coloca-se sobreposto ao Compasso em todas as sessões da Loja no Grau de Aprendiz.
Temos ainda a considerar o nível consagrado ao 1.º Vigilante e o prumo ao 2.º Vigilante. O nível simbolizará a igualdade social, base do direito natural, ao passo que o prumo indicará que o Maçom deverá possuir uma rectitude no seu julgamento, nunca influenciado por qualquer ação, seja de interesse ou de afetividade.
O nível indica a horizontalidade, mas está ao mesmo tempo integrado com a vertical (prumo). Assim o nível será um instrumento mais completo do que o prumo e, como tal, é o emblema do 1.º Vigilante.

Ao Aprendiz dão-lhe como ferramentas o malhete e o cinzel. O malhete equivale à força controlada para bater no cinzel, que deverá desbastar criteriosamente a pedra bruta até esta ficar na pedra cúbica trabalhada e impecável para se poder encaixar no nosso Templo.
Como é óbvio, a pedra bruta simboliza nós próprios ainda profanos, desconhecedores do saber esotérico, rudes e imperfeitos.
Na pedra cúbica já estaremos aperfeiçoados moral e intelectualmente, talhada pelo nosso constante labor, que nos foi ensinado, por um lado pelos nossos Mestres e, por outro, pela nossa perseverança, auxiliada pelo nosso espírito mais aperfeiçoado. Para atingir a pedra cúbica encimada pela pirâmide, será atingir o impossível da Pedra Filosofal? Poderemos simplificar esta última como que numa união do quadrado com o triângulo que a encima e a cada uma destas figuras geométricas os respectivos símbolos.
Assim, ao triângulo seria o Céu, ao quadrado a Terra. Ao triângulo o Espírito, ao Quadrado a Matéria. Ao triângulo a Alma, ao quadrado o Corpo.
Se de novo transformarmos este modelo geométrico plano em espacial ou tridimensional, consegue se materializar melhor o eixo que seria o prumo baixado do vértice da pirâmide para o meio da base do cubo. Seria o "Axis Mundi". E onde aparece por vezes enterrada no vértice da pirâmide um machado que simbolizará o que cai do Céu e o que é lançado para o Céu; ou que penetra na Terra. É, portanto um sinal que faz a ligação do Céu a Terra. O machado simboliza assim aquilo que é lançado pelo Céu para abrir o conhecimento esotérico pelo "Axis Mundi".
Falemos agora dos Mitos. Para definir o mito este poderá oferecer uma explicação de fenômenos naturais ou evocará episódios supostamente dos nossos ancestrais. Faz parte das religiões e da magia e, como tal, utiliza os símbolos.

Segundo Thomas Moore: Um mito é uma história sagrada, passada num tempo e num espaço exteriores à história, que descreve de uma forma ficcional as verdades fundamentais da natureza e da vida humana. Um dos significados da Mitologia é o modo como ultrapassa as diferenças individuais para atingir os temas fundamentais da experiência humana.
O Mito pode ser uma guia indispensável no processo de autoconhecimento.
Ele permite aos homens situarem-se no tempo e ligarem-se ao passado e ao futuro. Mas também poderemos afirmar que o mundo mítico está intimamente ligado ao mundo real. Tenta-se como ele explicar a criação do mundo.
Mitos são histórias de valor simbólico, destinadas a representar concretamente as verdades profundas e a explicação de fenômenos naturais e sociais. Do ponto de vista psico-analítico, segundo Jung, que vê a expressão do Mito como de um Inconsciente Coletivo, anterior ao Inconsciente Individual, impondo a este último os seus símbolos mais profundos e mais carregados de emoção.
O Aprendiz, logo na cerimônia da iniciação, se apercebe do valor dos símbolos para criar o Mito do Renascimento, pois começa na morte do profano para o renascer do iniciado com a luz e o conhecimento. Das trevas da caverna, do interior da terra, renasce-se para um novo ser espiritual. A porta do Templo, ladeada pelas duas colunas, também simbolizará a entrada para o renascimento: Será o limite entre a Morte e o Renascimento, entre a vida profana e a vida iniciática.

Também aqui podemos associar ao Mito do Bem e do Mal, do Branco e Preto do mosaico do pavimento da Loja, das Trevas e da Luz, do que é positivo e do que é negativo, do verdadeiro e do falso - enfim, do Mito do Equilíbrio da Natureza. O que está para cima e igual ao que está para baixo, formando um todo - conforme Hermes Trismegisto.

L:. R:. D:. - A:. M:. - R:.L:.M:.A:.D:.

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