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domingo, 3 de novembro de 2013

POR TRÁS DO JURAMENTO


Todos os maçons prestam, de tempos em tempos, juramentos à Ordem, como compromissos destinados a estabelecer e ampliar os seus vínculos esotéricos com a Maçonaria. Ao pronunciarem as palavras ritualísticas, eles receberam um influxo de idéias que têm a intenção de excitar-lhes a imaginação e a mente, a fim de que, refletindo sobre cada passagem dos compromissos, possa aperceber-se dos seus significados ocultos, substância primordial e insubstituível da sua imersão na Ordem.
Jura em vão aquele que jura falso, sem justiça e sem necessidade. Jurar falso é jurar contra o que um sente ou com mentira. Jurar sem justiça é prometer com juramento fazer coisa injusta e má, como fazer algum mal ao próximo. Quem jurou fazer uma coisa má não deve, nem pode cumprir o juramento, 
porque se o cumpre, comete mais outro pecado.

Vamos nos ater, na nossa apreciação, às penalidades cominadas aos perjuros, anunciadas no juramento do Aprendiz, tão divulgado na Internet e nos livros ao alcance de qualquer profano, que julgá-lo secreto é uma infantilidade.
 *Compreender bem as conseqüências do perjúrio é conhecimento essencial e necessário para que outros conceitos de igual importância e muito mais complexidade esotérica tenham assento sólido e absorção plena na consciência dos Iniciados.
Outros juramentos acompanham a vida do Maçom, na sua subida pela escada de Jacó, todos com interpretações igualmente fascinantes e inspiradoras, mas nenhum com tanto significado simbólico e esotérico como o que o neófito faz, um pouco antes de ser recebido e constituído Aprendiz-Maçom. Cumpre, pois, acendermos as luzes necessárias para que, dentro de cada Maçom, jamais fiquem obscuros os importantes conceitos essenciais contidos no nosso primeiro compromisso na Maçonaria.
Depois de um intróito que varia, de uma obediência para outra, o compromisso formal do Aprendiz declara. “− Se eu for perjuro e trair meu juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado e meu corpo jogado nas areias do mar, no lugar onde o fluxo e o refluxo da maré me mergulhem em completo esquecimento”.
Tentemos, agora, entender o profundo e oculto sentido dessas frases aparentemente tão assustadoras quanto irreais.
“Se eu for perjuro e trair meu juramento…”
O compromitente admite a possibilidade de perjurar e a conseqüente punição. O que está subjacente é a aceitação da falibilidade da pessoa humana, capaz de faltar com seu compromisso pelas mais diferentes razões.
Ao admitir a sua falibilidade, o compromitente antecipa que reconhece não ser perfeito e se submete às penalidades cabíveis. Isso, porém, não é o que se espera de um Iniciado na Maçonaria. Ao contrário, pretende-se que todos os Maçons sejam fiéis depositários das tradições herdadas dos antepassados e mantenham-se incorruptíveis nos seus princípios, atitudes e ações.
Para isso, manter-se-ão tão discretos e silenciosos quanto possível, a fim de que não se lhes escape, indevidamente, qualquer segredo. Caso contrário…
“… seja-me arrancada a língua…”
A língua tem, entre outras funções, como órgão articulador da fonação, por excelência, produzir a fala, combinando os seus movimentos com os do maxilar e das faces, tocando os dentes, o palato e os lábios e provendo, assim, as palavras sonoras que pronunciamos.
Alegoricamente, a língua é, ainda, o próprio idioma, sendo, nesta acepção, sinônimo de linguagem. Em ambas as acepções, a língua caracteriza o símbolo da comunicação oral, verbal e física entre os seres humanos.
Ao afirmar que consente que lhe seja arrancada a língua, o neófito declara que, caso perjure, aceita a punição de que não mais possa pronunciar, maçonicamente, qualquer palavra ou expressão, tornando-se estéril, do ponto de vista da comunicação verbal. Ou seja, a partir do momento em que perjura, ele se submete a não ter mais credibilidade maçônica entre os seus Irmãos, pois a sua palavra – antes empregada para assegurar a sua fidelidade aos nossos princípios – perdera o seu valor dentro da Ordem.
Quando se torna indiscreto e infiel, ele tem a sua língua arrancada, quer dizer, ele perde a credibilidade maçônica da sua palavra e as suas declarações deixam de significar qualquer valor para os Maçons. Sua voz não mais expressa pensamentos que a Maçonaria possa aproveitar, seja como informação, seja como ensinamento.
“… (seja-me…) o pescoço cortado…”
Ao ser degolado, o corpo humano perde a sua força vital e morre. Separada do corpo, a cabeça não mais lhe pode comunicar as suas ordens, decisões, reações e sensações. Essa dissociação da parte pensante e da parte executora do corpo sugere que, a partir da aplicação do castigo, o perjuro não mais realizará qualquer ação maçônica, pois a sua cabeça não mais representará um maçom vivo e o seu corpo não terá condições de praticar a Arte Real com propriedade, morta que está a origem do seu saber.
Cortar o pescoço significa privar o Maçom da capacidade de agir em nome da Ordem ou a seu serviço, permanecendo, para sempre, profano irredimível. Este é um poderoso símbolo da tragédia causada pela infidelidade, em que o Maçom abdica da sua Iniciação, substituindo os ensinamentos recebidos e o desenvolvimento que tenha feito por práticas inaceitáveis pela lei maçônica. Assim sendo, ele deixa, efetivamente, de ser Maçom, e, enquanto persistir e delinqüir, não poderá expressar-se ou agir como tal.
“… (seja) o meu corpo atirado nas areias do mar…”
As areias representam os bilhões de grãos que forram o fundo do mar, sendo, alegoricamente, uma representação da imensa população da Terra. A imagem do corpo sem vida maçônica do perjuro, ao ser atirado às areias do mar, passa a se confundir com essa população incógnita e não identificada, misturando-se às massas das quais havia saído, quando, ao ser iniciado, ganhou o direito de percorrer o caminho destinado aos iluminados pela razão e pelo discernimento.
Depois de perjurar, o iniciado desiste desse caminho e aceita ser, então, devolvido às suas origens profanas, onde Maçom nenhum voltará a reconhecê-lo com tal, ficando, assim, ignorado pelos que foram seus irmãos, que a sua desídia lhe permitiu trair.
O retorno à massa ignara, em termos de Maçonaria, reduz o delinqüente à condição profana da qual havia saído, à pequenez do grão de areia, misturado aos bilhões de outros tão insignificantes, para a Ordem, quanto qualquer deles. Dessa forma, não mais poderá ser reconhecido pelos que foram, antes seus Irmãos iniciados.
Esse símbolo do desprezo pela inconfidência caracteriza uma punição moral pesadíssima e uma sujeição a essa terrível pena devolve o ex-Maçom à sua origem iníqua.
“… onde o fluxo e refluxo da maré…”
O subir e descer alternado, ininterrupto, regular e constante das águas do mar, formando as marés, representa as alternâncias da vida humana que, sem o apoio de uma filosofia pura, própria, forte e objetiva, representa as venturas e desventuras profanas, ao sabor dos acasos e sujeita às vicissitudes de intensidade variável.
O perjuro, atirado ao mar, na linha da maré, volta a ser profano, sem as colunas da força e da beleza a lhe proporcionarem proteção e defesa contra os infortúnios e sem lhe proporcionar entusiasmo e incentivo, nos êxitos. Ali, na areia do mar, a maré da vida o fará balouçar ao sabor da força das águas, atirando-o a esmo, à esquerda e à direita, sem que a Ordem, que traiu pelo perjúrio, tal possa impedir.
A sua vida deixa de ter o sentido de fraternidade coletiva que cada Maçom nutre pelos seus Irmãos, passando a ser vivida como uma etapa insossa da sua existência temporal neste mundo.
A alternância dos sentimentos e sensações, das venturas e desventuras; o vai-e-vem, das alternâncias da vida profana, entre os bons e maus momentos, sem o amparo dos Irmãos e da Ordem, castiga o perjuro pela sua indiscrição, pela sua traição aos nossos princípios e é a pena acessória que acompanha o seu expurgo do seio da Maçonaria.
“… me mergulhem no mais completo esquecimento…”
Finalmente, sem voz nem voto, sem o direito de ser acreditado, sem qualquer possibilidade de agir e proceder como Maçom que deixou de ser, porque não respeitou a sua própria palavra empenhada à Ordem, o perjuro é abandonado à sua própria sorte, ignorado pelos Irmãos que traiu vilmente, desconhecido pela Maçonaria que abandonou ao ferir o seu compromisso de honra e riscado do rol de homens Livres e de bons costumes para sempre.
O mergulho no esquecimento se refere àqueles que antes o reconheciam como Irmão e que agora, frustrados e traídos, não mais o verão como tal, deixando-o entregue à própria sorte, no balouçar constante dos fados profanos. A sua importância para a Ordem, reduzida à nulidade, atira-o no abismo do abandono, onde não mais poderá ofender a maçonaria ou qualquer dos seus ex-irmãos. Esquecido e abandonado, o profano ex-maçom não tem mais o refúgio seguro da sua Loja, da sua Ordem e dos seus Irmãos, pois o crime que cometeu riscou-o do rol dos homens livres e de bons costumes que formam a Maçonaria.
O juramento do Aprendiz contém como percebemos muito mais sentido do que podem sugerir as palavras que o compõem, se entendidas pelo seu lado exotérico. Em vez de meras palavras alegóricas e teatrais, destinadas a impressionar o neófito pela ameaça violenta que exprime o juramento e o castigo pelo perjúrio ocultam um sentido muito mais significativo, merecedor de permanente reflexão e constante observância.
Para perceber a extensão do castigo e a sua real aplicação, na vida prática, é necessário que saibamos interpretar o profundo significado esotérico do compromisso que, num momento glorioso, o Maçom assumiu, como primeiro e mais importante vínculo espontaneamente admitido com a Ordem.
Sob o ponto de vista iniciático, a relação existente entre o neófito e a Maçonaria tem início, exatamente, no momento em que conclui a prestação do seu juramento sagrado, num momento solene e com o testemunho daqueles que são, a partir daí, inseparavelmente ligados ao seu próprio destino. Tal compromisso, se quebrado, por infelicidade ou má-fé, tem o seu castigo terrível no corte, definitiva e permanentemente, de todos os liames criados desde a iniciação.
Não se trata, portanto, de mera simbologia vazia de conteúdo ou de manutenção, pura e simples, de um costume ancestral. Menos, ainda, é ameaça real de ofensa física ou castigo corporal que possa intimidar, pelo seu sentido externo, aqueles que o prestam.
Nas palavras do juramento do Aprendiz repousam as bases onde se hão de assentar, progressivamente, todos os seus outros compromissos, a serem assumidos à medida que progride na Senda da Maçonaria. A cada grau elevado, o Maçom acrescenta novos conceitos essenciais ao seu compromisso e, com eles, a sua determinação de servir a humanidade e aperfeiçoar-se, numa construção permanente e interminável do ser perfeito que aspira ser.
Que o Grande Arquiteto do Universo nos ajude a compreendê-lo e cumpri-lo!

Fraternalmente,
Or
de Brasília, 25 de Setembro de 2007
Jethro Bello Torres – Gr 3 – MIBIBLIOGRAFIA:
DOUTRINA MAÇÔNICA:
GOB – RITUAL DO APRENDIZ MAÇOM –
HERMENÊUTICA E COMPOSIÇÃO FINAL:
José Prudêncio Pinto de SÁ – M. M. – ARLS “Hermes”, Or Santa Maria, RS.
Jethro Bello Torres – M
M – ARLS “ÁGUIA DO PLANALTO, e ARLS “UNIVERSITÁRIA Ordem Luz e Amor” – Or Brasília – DF



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