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domingo, 21 de junho de 2015

COMENTÁRIOS SOBRE A POUCA FREQUÊNCIA NAS LOJAS



Vez ou outra, estudiosos da Maçonaria perguntam-se do por que da baixa frequência nas Lojas e, embasados nos parcos registros da história, inferem-nos a ideia de que sempre foi assim.

A diferença sensível encontrada nos registros das Lojas e da Ordem é a alegação de que existe, hoje em dia, uma menor quantidade de membros, dentro de uma maior quantidade de Lojas, presumindo-se que, antigamente, em um Oriente indefinido, a mesma quantidade de obreiros pertenceria a um menor número de Lojas, o que aparentemente daria uma frequência maior.

Entretanto, em uma pesquisa imparcial sobre a frequência dos IIr.·. das antigas Lojas, nos áureos tempos do início do século XX, encontraríamos, com certeza, os percentuais de comparecimentos que não difeririam, nem para mais nem para menos, dos percentuais de hoje.

Aliás, quanto maior fosse o número de obreiros pertencentes a uma Loja, há tempos atrás, menor seria a porcentagem de frequência. – Exemplificando: uma Loja de 300 IIr.·. apresenta, hoje, a frequência aproximada de 60 a 70 membros, em média 20% mais ou menos.

Outra com 30 ou 50 membros registra a presença de 20 a 30 OObr.·., média de 60 a 70%. A assertiva baseia-se no fato de o autor da presente haver frequentado uma das maiores Lojas do Brasil onde, normalmente, a presença de IIr.·., em cada sessão, não passava de 10 a 20%, ou seja, de 30 a 60 comparecimentos para um total de 300 OObr.·., que era o Quadro daquela Loja.

Anotamos informações da Maçonaria da U.·.S.·.A.·., onde algumas Lojas cadastram até 900 membros ou mais, e cuja média, via de regra, é de 100 a 300 OObr.·.. Entretanto, lá, as sessões de Cp. ou M.·. M.·.., somente são realizadas para as CCerim.·. Magnas de Elevação (dita Passagem) ou de Exaltações (dita Elevação). Nos U.·.S.·.A.·.predomina o Rito de York (Rito Emulação).

Pelo número de OObr.·.imaginem a dimensão do Templo dessas Lojas, se todos comparecessem às sessões das mesmas e, a impressão de vazio que daria a reunião, quando comparecessem apenas 10% dos IIr.·.e o que seria mais provável acontecer, se as suas reuniões fossem semanais como aqui.

A sensação de vazio acentua-se ainda mais quando, oportunamente, presenciei “in vivo” uma palestra a cargo de um renomado autor, em um Templo de uma grande cidade do Estado de S. Paulo e, para que os IIr.·. tenham noção da capacidade do Templo e da realidade do comparecimento, a dita palestra foi realizada no Oriente onde, tranquilamente, sentaram-se 25 ou 30 pessoas e ainda sobraram cadeiras.
As colunas do Ocidente ficaram completamente vazias. O prédio, enorme, tem quase 100 anos de existência e a Loja mais de 110 anos de fundação.

Entende-se que a sua construção foi uma obra para outra realidade que não a da presente, essa Loja vive de glorias passadas e, atualmente, nada lembra o antigo brilho que construiu os alicerces de uma Loja que luta para sobreviver e cumprir com os altos desígnios que lhe foram entregues pelo G.·.A.·.D.·.U.·..

Este sentimento de vazio fica somente na impressão, mesmo porque na nossa humilde visão, a Ordem Maçônica está mais viva do que nunca. Um fator importante que precisa ser levado em consideração é o fato de que nos primórdios da Arte Real no Brasil, recebemos fortíssima influência da Maçonaria Francesa, eminentemente política, que adotava uma filosofia racionalista embasada nos princípios do Positivismo de Auguste Comte, muito em voga na época, daí um assédio maior por parte daqueles que ambicionavam o poder governamental.

A sua ingerência nos sistemas de governo, cuja atuação extrapolava o silêncio dos Templos, fazia com que a militância ganhasse um espaço maior na imprensa, provocando acalorados debates públicos e a exacerbação política da intelectualidade da época.

Comparativamente, à luz da história, a sensação da presença mais efetiva e a existência mais marcante dos IIr.·., é devida à ocupação de um enorme espaço político e, consequentemente, uma maior divulgação nesse sentido. Assim torna-se mais fácil aceitar como coisa natural a participação maciça dos obreiros daquela época.

Sendo político o motivo dessa maior presença, a atuação da Loja, comparada aos modelos de hoje com referência à História, à Linguagem Simbólica, à Filantropia e ao Esoterismo, dentro desses campos seria muitíssimo menor.

Com o quase total desaparecimento do colonialismo, o absolutismo governamental desmoronou, deixou de existir o terreno propício para a atuação política da Maçonaria. – Além disso, com a ocorrência no Brasil de uma maior influência da vertente maçônica inglesa, cujo trabalho sempre foi e é discretamente realizado no interior dos Templos, fez-se com que não mais se receba como ato maçônico o “oba oba” das ruas, acontecimento de influência francesa, e daí também, a impressão de um maior vazio, hoje, dentro da Ordem. – Ainda pela ação da Maçonaria Inglesa, existe na atualidade, outra visão da realidade sobre a nossa Ordem, onde muitos são candidatos e poucos realmente os escolhidos.

Todos deverão passar pela cerimônia da Iniciação, que é uma triagem ritualística “EXOTÉRICA”, da qual resulta uma sobra minoritária daqueles que, efetivamente, serão esotericamente “Iniciados”.

A nossa incerteza ante o desconhecido quer pela vivência na Terra como Ser material, ou após a morte, como provável Ser espiritual, provocará, dentro e fora do Templo, uma ação dos maçons que se dedicarão à procura da solução do mistério.

Não encontrando a resposta das suas dúvidas dentro do Templo, (não vamos entrar no mérito dos motivos) haverá como resultado uma maior rotatividade no “entra e sai”, da Ordem. A pequena Iniciação é por todos vista e sentida.

A grande Iniciação, porém, não é a imagem do Filho da Luz recém-admitido, que se dá conta da metamorfose sofrida, mas a experiente visão dos seus irmãos que vislumbraram nele um possível grande iniciado, era um reduzido, porém, muito eficiente e seleto grupo que constitui a grande força da Arte Real.

O que resulta para olhos que só enxergam exotericamente, é uma sensação de vazio, que pode e deve ser compreendida apenas na sua aparência. Na realidade, aquilo que uns poucos esotericamente produzem, apesar de ínfima minoria, é incomparável e somente podem ser aquilatados, vistos e compreendidos por outros olhos também esotéricos.

Para esse vislumbre, seria bom não esquecermos uma das primeiras colocações do proceder maçônico: - “O que se faz com a mão direita a esquerda não deve saber”. A grandeza da Ordem e da Arte devem permanecer ocultas às vistas profanas.

Assim, as obras maçônicas não são elaboradas para que o mundo fora delas tomem conhecimento, porém, para que sintam os seus efeitos e as oportunidades benéficas geradas. Como outra das possíveis causas da má interpretação dos reais fundamentos da nossa Maçonaria, o estudioso e leitor da Arte Real, examinando a sua biblioteca, vai verificar entristecido que somente 30% daqueles livros são realmente aproveitáveis e os outros 70% dos escritores revelam-se maus copiadores de Rituais e descarados mercenários dos simbolismos maçônicos, projetando e divulgando conexões e relações entre as funções ritualísticas e os órgãos do corpo humano.

E o que é pior de tudo isso é o fato de seus autores saírem do particular para o geral como donos da verdade, com erros de interpretação sobre qual seja a essência da nossa Ordem e, inclusive com ideias de quantidade e não qualidade que deveriam ficar restritas no próprio particular. Isso é uma lastima porque nos induzem a falsas concepções do que seja a Maçonaria em seus maiores fundamentos, erros esses que tomados como acertos, plasmam modificações indevidas, que passam a integrar os nossos rituais, e as nossas verdades, contribuindo para o desaparecimento dos valores tradicionais ocultos nas alegorias e nos símbolos da ritualística e trazendo como resultado uma quase total ignorância de conhecimentos maçônicos da maioria dos MM.. MM, que não sabem como manterem vivos os ensinamentos e a tradição da nossa Sublime Ordem e transmiti-los aos nossos consequentemente.

Forçar, aleatoriamente, o aumento do número de obreiros é forçar também o aumento da rotatividade. – Esse negativo “entra e sai” da Ordem produzirá a ampliação burocrática que, fatalmente, irá ocupará o pouco e precioso tempo destinado para proveitosas instruções do “saber oculto”.

A reunião tornar-se-á enfadonha e cansativa contribuindo, deste modo, para o esvaziamento das Lojas. O enfeitamento do pavão para o candidato visando o seu recrutamento é uma atuação de lesa-maçonaria.

Além de não levar ninguém a lugar nenhum, ajuda a provocar espaços vazios contribuindo para o entra e sai, mesmo porque, uma vez iniciado, o neófito, em vez de lá encontrar somente deuses como lhe foi acenado, encontra também diabos, às vezes, piores que os do inferno, e que o motivará, face ao seu despreparo, para uma estratégica e lógica retirada.

A liderança do Ven.·. Mestre deve ser uma condição “sine qua non” e inquestionável no comando de uma Loja, A eleição de um Ven.·.M.·. mediante um rodízio adrede preparado e aceito pelos demais, não é aconselhável nem indicado para uma sociedade culturalmente elitista como soe acontecer em nossa Ordem. O Ven.·.M.·. da Loja deverá preencher uma série de requisitos que o capacitarão frente aos seus comandados, afim de que a sua autoridade jamais seja contestada ou colocada em dúvida.

A sua autoridade impõe respeito e sincera aceitação e transmitirá aos demais obreiros, segurança, harmonia e tranquilidade. A Lenda de Hiram mostra-nos a necessidade de uma Hierarquia, onde uns comandam e outros obedecem. É inconcebível a inversão desses valores. O Ven.·.M.·. dirige a sua Loja como um maestro dirige a orquestra, com a batuta na mão, para manter o balanço rítmico. Ainda que esta caia, (a batuta) seus braços não podem perder os movimentos síncronos, que garante a execução da melodia, harmonia e ritmo.

Conclusão: Através do tempo e mundo afora, as realizações maçônicas não foram e nem serão medidas pelo número dos seus membros, mas pela sua capacidade de dominar as forças fenomênicas. Se uma escada fosse construída com as três formas do Conhecimento Humano, os degraus de cima seriam os da Filosofia; os do meio, os da Ciência e os primeiros, os da Tradição.

A Maçonaria, independente do número de obreiros, evoluiria por essa escada e se perpetuaria, como tem evoluído e se perpetuado no tempo, exatamente, porque exaltando a Tradição como a sua força propulsora, ganhou maiores conhecimentos e, também, maior domínio das demais forças da Mãe Natureza, propiciadas que foram pelo Saber em todas as suas formas de Conhecimento. – A Tradição é o primeiro degrau a ser escalado.

Foi assim no começo com uns poucos e, também, poderá e deverá sê-lo por todo o sempre, com qualquer número, portanto nada há a temer em razão de vazios, desde que os antigos costumes sejam respeitados e preservados.

Osvaldo Ortega

Loja Delta do Limão 445 S. Paulo-Glesp

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