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quarta-feira, 17 de junho de 2015

NA TRAVESSIA DO MAR VIVO


Comparando, comparando... o viver parece-me bastante com a travessia de um mar vivo. Sem calmarias. Sempre revolto. E povoado de monstros marinhos. É isto, com um pouco menos de exagero. Mas que um mar vivo, revolto e sem calmarias, é o que se oferece ao viver. Ah! Isto é. A Maçonaria tem esta percepção, quando adverte o candidato que pretende ingressar em suas fileiras.

Há um compromisso do candidato para consigo mesmo, em se adequar à filosofia da Ordem, além das obrigações para com o amor a Deus e ao próximo; à dignificação da família e ao zelo da pátria.

Calmaria é prêmio. Só depois. Se a proposta é mudar o mundo viciado e agônico, injetando-lhe vida nova, torna-se necessário formalizar as pedras segundo as exigências do espírito deste novo tempo.

E o construtor social precisa esculpir-se. A começar por si próprio, porque se não sou capaz de mudar a mim mesmo, falecer-me-ão, por assim entender, as condições da prática da mudança de meu entorno.

Era o conselho do Templo de Delphos: o nosce te ipsum, ou seja, “conhece-te a ti mesmo”. Para isto é preciso seguir o caminho do VITRIOL: voltando ao interior íntimo, pois lá é que se encontra a pedra filosofal, a decifração das coisas.

Acontece que dizer isto é muito fácil. Difícil é a prática. E tome mar revolto... Mas insistir é preciso. Sempre lembro o poeta maranhense, para quem “viver é lutar” e que esta luta “aos fracos abate”, no entanto “aos bravos e fortes, só faz exaltar”.

O certo é que “o compromisso para consigo mesmo”, a que se reporta a Maçonaria, passa por aí, pelo enfrentamento das dificuldades. Entretanto a Ordem Maçônica não deixa o seu integrante sozinho, considerando que o homem é um ser social.

Criou a Loja, como a “escola de conhecimento”, ou o lugar aonde vão os Maçons para, fortalecidos pelo orvalho da união, se estimularem uns aos outros na prática da virtude. E aí adquirir o hábito de combate às suas paixões e da submissão de suas vontades.

Do lado de cá está o meu acampamento inicial. Minha vida é minha missão. E minha missão é contribuir efetivamente para com a feitura do lado de lá. Se não houve esta contribuição, “fui só espectro de homem”. Pois em plácido repouso adormeci, mas apenas “passei pela vida, não vivi”, como sentencia o poeta carioca Manuel Otaviano. Hegel entendia ser muito pouco ou nada contributivo o deixar tudo como está. Vem uma geração, vem outra e outra mais, todas se vão, e tudo fica como foi encontrado.

E a evolução? Cadê o compromisso para com a evolução? Ou não há tal compromisso? Gente de “pensamento pensado”, dizia ele. Agora quer ver o filósofo alemão melhorar de tom? É somente ler a respeito das gerações que receberam o acervo cultural e penetraram suas entranhas.

Dissecaram-no. Conheceram suas possibilidades de melhorar. E acrescentaram estas melhorias, dando-se em decorrência disto o surgimento de “um maravilhoso mundo novo”. Esta é a obrigação de cada geração.

Legar à próxima “um maravilhoso mundo novo”, expressão devida a Aldous Huxley. Hegel filosofava de “pensamento pensante” quem contribuía desta forma. Todavia, não mais existe aquela história de maná caindo do céu ao amanhecer do deserto.

Se quisermos possuir o maná, temos que fabricá-lo. Meter a nossa mão na massa. Submeter nossas vontades. Vencer nossas paixões. Senão a evolução não vem. E a construção social não acontece. O lado de lá (lembram Canaã?) é um pós-mar vivo. A missão do viver é atravessá-lo. É chegar lá. Percalços! Eles devem de haver. Aí não esquecer Moisés. Medroso e com dificuldades até no falar, temia por sua missão. 

Mas o Grande Arquiteto do Universo sempre lhe garantia como decerto garantirá todos que honram seus compromissos: “Eu serei contigo”. (Êxodo 4, 12 e 4, 15)..

Ir.’.Antônio do Carmo Ferreira Grão-Mestre do GOI-PE Or.’.Recife - PE


FONTE: FRATERNIZAR

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