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domingo, 30 de agosto de 2015

A MAÇONARIA E O LIVRO DE ECLESIASTES


A Maçonaria tem um de seus graus dedicados ao livro de Eclesiastes e relembra, em especial, o versículo “Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos em que dirás: Não tenho prazer neles”.
O nome Eclesiastes deriva do termo grego ekklesia (“assembleia”) e significa “aqueles que falam a uma assembleia”.
O livro de Eclesiastes trás à tona as grandes questões filosóficas morais, éticas e existenciais. Questões teológicas, como: a prosperidade dos ímpios, a morte comum a todos, materialismo, fatalismo, pessimismo, dúvidas quanto à eternidade, vida no além e até sobre o juízo final. Seu tema central basicamente é a busca da felicidade no confronto entre a vida, a morte e a eternidade.
Todo livro sapiencial tem o objetivo de ensinar ou transmitir a sabedoria, a qual se apresenta como antídoto contra a tolice do ser humano. O livro de Eclesiastes leva o leitor a encarar a realidade humana em face da morte.
O Eclesiastes destaca a supremacia de Deus, acima de tudo. Deus criou o homem (7.29) e deu a ele o tempo (9.11). Nesse tempo se situa a vida do homem.
O desafio do homem é descobrir o melhor a se fazer de modo a se aproveitar bem o tempo recebido (2.3), o que traria ao homem maior satisfação, enfim, a felicidade.
Salomão cita as ocupações humanas, fala de conhecimento, sabedoria, trabalho, dinheiro, bens, riqueza, comida, bebida, relacionamentos, alegria, prazer, pecado, sofrimento e religião.
Em um primeiro momento, pensa-se na vida e em seus valores de forma positiva: construir muito, aproveitar tudo e possuir o máximo. Depois, Salomão coloca em destaque a morte. Diante dessa realidade, tudo passa a ser visto como coisa vã. Daí vem a máxima: “Tudo é vaidade.”
Diante desse fato previsível e certo (a morte), todas as ocupações humanas, bem como suas conquistas, têm de ser reavaliadas. O tolo, “personagem” muito mencionado em Provérbios e Eclesiastes, vive o presente e ignora o futuro.
Além do fato futuro da morte, devemos considerar também a eternidade que nos aguarda. Muitas coisas que pareciam valer a pena perdem seu valor quando confrontadas com a morte. Outras se desvanecem quando confrontadas com a eternidade. Salomão toca nesse ponto quando fala do retorno do espírito para Deus (12.7) e também do futuro juízo divino sobre as obras humanas (12.14).
Eis então completo o plano de confronto: a vida, a morte e a eternidade. Para que se tenha então uma perspectiva correta da existência, deve-se considerar tudo isso. Salomão faz suas conclusões, onde se destaca a necessidade que o homem tem de se lembrar do Criador e o seu dever de temê-lo e obedecer aos seus mandamentos.
Eclesiastes tem uma linha de desenvolvimento que vai do natural ao espiritual.
Sobre o tempo Salomão o divide entre passado, presente e futuro, ou podemos vê-lo como o tempo da vida, o tempo da morte e a eternidade. Não se pode pensar apenas na vida como se a morte não existisse. Também não é prudente o foco na morte a ponto de se perder a motivação pela vida.
Outro extremo é a dedicação exclusiva às questões relativas à eternidade, tais como práticas espirituais ou religiosas, a tal ponto de se negligenciar o suprimento das necessidades naturais. Há necessidade de equilíbrio do foco no tempo. Qual é o ponto de equilíbrio? É uma questão a ser definida pela sabedoria.
O que acontece na maioria das vezes é que o homem fica preso no âmbito da vida, desconsidera a morte e a eternidade e poderá ser apanhado desprevenido pelos últimos tempos, sejam estes universais ou pessoais.
No capítulo 2 de Eclesiastes, está o relato das grandes conquistas, experiências e realizações de Salomão. Entretanto, ao se confrontar com a realidade da morte, Salomão, num primeiro momento desvaloriza todas as coisas e afirma que tudo é vaidade (2.14-18).
Percebe-se então a amargura do confronto com o fim inevitável da vida terrena. Diante desta constatação vamos jogar fora a vida por causa da morte? De modo nenhum. Afinal, se temos algo nesta vida, isto é dom de Deus e deve ser usufruído, mesmo sendo transitório (Ec.2.24; 5.19). Vamos, sim, valorizar a comida, a bebida, o trabalho, os bens, mas sem os extremos.
A realidade da morte deverá ser confrontada com nossos atos, atitudes, tratamentos interpessoais, sentimentos, etc., a fim de se determinar o que vale a pena e o que não vale.
Considerando a questão da morte, constatamos que algumas coisas da vida deixam de valer a pena: Acúmulo de riquezas, excesso de trabalho, excesso de estudo, atitude de orgulho, etc. A morte coloca os seres humanos em condição de igualdade, anulando todos os privilégios naturais, diferenças culturais, econômicas, sociais, etc. “Como morre o sábio, morre o tolo.” (Ec.2.16).
Sendo assim, o orgulho, a soberba, e o tratamento de desprezo para com o próximo, são atitudes que não se justificam. Perdem totalmente o sentido quando se pensa na morte e seu significado.
A moderação torna-se palavra de ordem. Contudo, tais palavras não devem ser usadas como justificativa para a preguiça e a negligência, pois a atitude passiva de cruzar os braços é própria do tolo (4.5). O que se busca em tudo isso é o equilíbrio, que será produto exclusivo da sabedoria. Moderação é prudência; Preguiça é tolice. Nosso desafio é sempre distinguir entre esses elementos nas mais diversas áreas da nossa vida.
Considerando a eternidade, cuja consciência foi gravada por Deus no coração humano (3.11), passamos a perceber outras coisas que deixam de valer a pena na vida: os excessos e o pecado, sendo que ambos estão muitas vezes relacionados. Por outro lado, Salomão diz o que vale a pena, em função da eternidade, lembrar-se do Criador, temê-lo e obedecer aos seus mandamentos.
Surge a dúvida de qual seria o limite de nossas ações e até onde ir às buscas, conquistas e realizações. Em cada instante, em cada caso específico, só a sabedoria poderá definir com precisão o limite para as ações humanas, de modo que possa definir em sua própria vida os limites para suas buscas, conquistas e realizações.
Salomão valoriza a convivência (4.9). Em meio a todos os problemas do convívio social, Salomão conclui que pior será a situação daquele que estiver só (4.8-11). É a convivência fraterna que a maçonaria prega.
A questão da aparente injustiça da vida é explorada (8.11). Novamente se retoma o tema da morte (8.8; 9.5) e das alegrias que podem ser alcançadas em vida (8.15).
A ética envolve questões morais do comportamento, escolhas entre o bem e o mal. Salomão faz uma série de advertências em forma de provérbios (10). Finaliza com incentivo ao gozo da vida, mas lembra da prestação de contas (11.9). Termina essa parte incentivando o jovem a lembrar-se do Criador antes que venham à velhice e a morte e o juízo (12.1-7,14).
A maçonaria utiliza os escritos de Salomão em Eclesiastes mostrando aos seus membros o confronto da vida com suas dificuldades, a morte e a ressurreição ou eternidade. E encoraja os maçons a agirem com sabedoria na utilização de todos os dons e bens que o criador lhes ofertou assim preparando o caminho para a eternidade.

Honório Sampaio Menezes, 33º, REAA, Loja Baden-Powell 185, GLMERGS, Porto Alegre, RS, Brasil.

Um comentário:

  1. Parabens ! Um dos melhores texto que eu ja li ate hoje neste blog que acompanho a varios meses,eu gostaria muito de ser um aprendiz e ir pra camara das reflexoes !

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