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terça-feira, 6 de setembro de 2011

OS CORDEIROS E OS LOBOS DENTRO DA MAÇONARIA


 A frase “Que gente é essa? É gente de conteúdo interno que transcende a compreensão medíocre, simplória” tem sido totalmente invertida e, se alguém quiser cair na real, deve ser lida assim: ‘Que gente é essa? É gente sem conteúdo interno e que não transcende a compreensão medíocre, simplória”. São poucos, e fazem muito barulho, causam imenso prejuízo, trazer caos para Ordem.

            Enquanto isso, a maioria de verdadeiros maçons permanece silenciosa, confundindo fraternidade com omissão e apatia. “É gente muita estranha” essa maioria que leva uma rasteira, vê a dignidade da Ordem cair no chão e se levanta para dar a outra face.  Essa maioria se comporta como cristãos, mas esquecem a lição do Cristo aos vendilhões do templo.   

Ao chegar ao Templo e se deparar com a quantidade de vendedores que ali comercializavam mercadorias Jesus toma um chicote e expulsa os comerciantes daquele local sagrado.  A atitude de Jesus, mais que seu impacto agressivo, demonstra o zelo pela casa do Senhor e também a dor por ver desvirtuada a destinação própria do lugar. Essa foi a atitude do Cristo à altura de sua missão (a César o que é de César, a Deus o que é de Deus) e de sua autoridade moral. O Cristo não falava só em dar a outra face, mas também os ensinava e dizia: “Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores” (Marcos 11:17).

            Infelizmente, a maioria silenciosa prefere se comportar como cordeiros diante da pequena matilha de lobos que circula entre nós. Essa maioria “cristã” deveria ler Nicolau Maquiavel (1469-1527), historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento e autor de O Príncipe, livro que lhe deu a fama de maquiavélico, criado a partir do seu nome, significando esperteza, astúcia.

            Cito aqui algumas frases de Maquiavel:

            “Todos vêem o que pareces, poucos percebem o que és.”

            “Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis.”

            “Eu creio que um dos princípios essenciais da sabedoria é o de se abster das ameaças verbais ou insultos.”

       
     “Quando um homem é bom amigo, também tem amigos bons.”
          
   “Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal.”
         
   “O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta.”
           
 “Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição.
          
  “São tão simples os homens e obedecem tanto às necessidades presentes, que quem engana encontrará sempre alguém que se deixa enganar.”
          
   “Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela”.
           
  “Nunca se deve deixar que aconteça uma desordem para evitar uma guerra, pois ela é inevitável, mas, sendo protelada, resulta em tua desvantagem.”
          
  Como dá para notar, Maquiavel era um realista. Ele foi o filósofo do poder, e o poder nunca foi nem nunca será romântico. Dai a César o que é de César, e tente manter a cabeça em cima dos ombros, antes que seja cortada – essa é a lógica do poder.
            
No momento, Maçonaria está mais para Maquiavel do que para Cristo. O que vem sangrando a Maçonaria é a luta profana pelo poder. E o pior: não é o poder para fazer o melhor: é o poder pelo poder.
           
 Vale citar algumas frases sobre o poder:
           
“É um estranho desejo buscar o poder e perder a liberdade" (Francis Bacon). "Todos amam o poder, mesmo que não saibam o que fazer com ele" (Benjamin Disraeli). "Onde reina o amor, não há vontade de poder, e onde domina o poder, falta o amor. Um é a sombra do outro" (Carl Gustav Jung).  "O poder é o afrodisíaco mais forte." (Henry Kissinger).

            Destaco duas frases sobre o poder: “Se não és senhor de ti mesmo, ainda que sejas poderoso, dá-me pena e riso o teu poderio" (Josemaría Escrivá). "Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder" (Abraham Lincoln).

            Acredito que nessas duas frases está concentrado o dilema atual da Maçonaria. Poderia resumir a situação assim: atualmente na Maçonaria quem comanda não manda e quem comandou não quer largar o osso.

            Hoje li um artigo assinado por Roberto da Mata (“O problema do ex”), que é um retrato perfeito da nossa DesOrdem.

            “Todos, diga-se logo, somos ‘ex’ de alguma coisa ou pessoa. Por isso, o prefixo tem um lado ambíguo quando não claramente negativo, sobretudo em sociedades como a nossa, na qual a regra é sempre acumular poder (sobretudo o poder público) e, assim, multiplicar nosso patrimônio (real ou simbólico), porque os rios correm para o mar e quem é rei jamais perde a majestade. Nosso ideal é ficar por cima da carne-seca; isto é, por cima das leis. De todas as leis!” – escreve DaMatta.

            A questão é essa. Quando quem está no poder não o exerce com mão firme, com moral clara, apoiado no consenso da maioria silenciosa, gritando por ela, legislando em nome dela, se impondo em nome dela, quando quem está no poder não se faz respeitar, surge a DesOrdem.

E é por essa brecha que atuam os que tiveram poder, os ex-poderosos, os que querem ficar sempre por cima da carne seca, se eternizar no poder. O ex fica na sombra e manda os seus paus mandados lançarem a calúnia, o pânico, a injúrias. E os paus mandados (como piratas, com vendilhões do templo) são capazes, inclusive, de profanar a Maçonaria em nosso do poder pelo poder de seu ex. Para esses sicários, ter um Grão-Mestre legitimamente eleito cassado pela Justiça profana é um exercício de poder, e que se dane o juramento de iniciação, os landmarks, a fraternidade.

            Para esses vendilhões do Tempo, para esses paus mandados da DesOrdem, o importante é o poder pelo poder. Mas eles só agem porque a maioria silenciosa permite que façam de cada Loja um boteco e de cada Templo uma feira livre. Enquanto isso, o comandante não consegue juntar em torno de si uma tropa de homens de bens, livres do medo, e que diga aos vendilhões: “Ou vocês atuam dentro das leis maçônicas ou peçem pra sair! Aqui não é lugar para profanos de avental!”.

            E essa tropa de homens livres e sem medo devem contar à maioria silenciosa a fábula do lobo e do cordeiro, de La Fontaine, e dizer: “Vocês são a Ordem. Se vocês se calarem diante dos lobos, você não poderão se esconder nem mesmo no silêncio. O uivo dos lobos diz que, onde a lei não existe, a razão do mais forte e do mais esperto prevalecem. Vocês têm que escolher de que lado estão, e rápido. Se possível, agora, já!”.

            Não é exagero: a Maçonaria está em guerra. E vale terminar com o realista Maquiavel: “Nunca se deve deixar que aconteça uma desordem para evitar uma guerra, pois ela é inevitável, mas, sendo protelada, resulta em tua desvantagem.”

            O certo é que a Maçonaria não pode ficar no silêncio dos cordeiros e nem debaixo do uivo dos lobos. Está faltando um movimento: que os homens de bons costumes, livres e sem medo se levantem e fiquem de pé e à Ordem.

            O resto é uivo de lobos e DesOrdem.
 CAM
maciel


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