Páginas


“SÓ PUBLICAMOS TRABALHOS RELACIONADOS COM A ORDEM MAÇÔNICA”

ACEITAMOS A OPINIÃO DE TODOS, DESDE QUE O COMENTÁRIO SEJA ACOMPANHADO DE IDENTIFICAÇÃO E UM E-MAIL PARA CONTATO.


“NÃO SERÃO ACEITOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS”

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CHIQUINHO PEÇANHA – MESTRE MAÇOM – SEU CRIADO


 Nasceu Francisco de Assis Peçanha, mas dada sua pequena estatura e tez amulatada recebeu o carinhoso apelido de Chiquinho e mais tarde, com mais idade, foi-lhe acrescentado o pomposo sobrenome de “Peçanha”.  Assim ficou conhecido em sua pequena cidade de interior onde professava a função de barbeiro: Chiquinho Peçanha, seu criado.

Vivendo na modorra de um local sem muito movimento, mas tendo sua barbearia em pequena esquina do centro da cidade tinha a oportunidade de conviver com pessoas ilustres ou não do local que marcavam encontros ocasionais em seu estabelecimento para longas conversas.

Chiquinho gostava de vestir-se com apuro, porém com simplicidade. Não abria mão, contudo, de sua indefectível gravata borboleta, o que, segundo ele, o tornava mais elegante.  Fazia questão de ler o único jornal que conseguia chegar à sua cidade.  Discutia com os clientes os assuntos do dia e discursava longamente sobre tudo. Gostava, realmente, de ler e de se atualizar.  Orgulhava-se de sua família, esposa e três filhas, as quais tratava com amor e seriedade.  Levava-as, aos domingos de manhã, à missa, passeava na praça, demonstrando à sociedade a união familiar.

Assim levava vida simples esse simpático barbeiro, amigo de todos e por todos querido.

Chiquinho Peçanha, porém, tinha um desejo secreto.  Admirava aqueles homens que, em determinado dia da semana, desfilavam de preto em direção à pequena Loja Maçônica da cidade.  Gostaria de estar entre eles.

Certo dia, estando a sós com um deles esticou conversa até chegar ao ponto de falar sobre o assunto.  Tomou coragem e perguntou se poderia entrar para a Ordem.  Recebeu, contudo resposta não muito convincente, sem definição, o que o deixou cismado.

O tempo passou e eis que um dia essa pessoa o chamou em um canto e discretamente comunicou que seu pedido fora aceito pelos membros da Loja.  O coração de Chiquinho disparou.  Passou o dia tremendo esperando com ansiedade chegar em casa e dar a boa notícia a sua esposa.  Feito isso, recebeu um balde de água fria: “Mas, Chiquinho, como você vai poder arcar com as novas despesas? Com certeza existem taxas a pagar e nosso orçamento é mirrado!

 - Não se preocupe mulher, dá-se um jeito! Disse.

E assim foi se preparando. A economia doméstica apertou; economias foram feitas, mas seu terno novo foi comprado; as taxas devidas, pagas.

Finalmente, chega o grande dia.  Chiquinho Peçanha, esbelto e bem arrumado, aprumado em seu terno preto inicia-se na Ordem Maçônica.

Passado a grande festa, inicia-se nova fase na vida desse cidadão pacato e simples.  Algumas providências foram imediatamente tomadas.  Sua barbearia ganhou de imediato, um belo quadro feito com linhas trançadas mostrando um esquadro e um compasso.   Suas conversas, de políticas, passaram a filosóficas.

E, Francisco de Assis Peçanha, aliás, Chiquinho Peçanha, mudou de rumo.
Não faltava a reunião, devorava o Ritual, só conseguia ler se o assunto fosse sobre Maçonaria, levava sua esposa e filhas às Festas Brancas – ele sempre com seu alfinete de lapela, ela com seu colar com esquadro e compasso feito de bijuteria.

Cidade pequena, poucas pessoas dispostas a se iniciarem, a Loja foi diminuindo; Chiquinho, porém, crescendo.

Determinada época, não havia quem quisesse assumir a direção da Loja.  Chiquinho, maçom assumido e sempre de pé e à ordem, não podia deixar que isso acontecesse.  Aceitou o cargo e o encargo.  Era, orgulhosamente, o novo Venerável de sua Loja.
Sem ter a mínima noção de administração ou pequeno cacoete sequer de liderança, foi tocando da mesma forma com que o fazia com sua barbearia.
Esforçava-se em manter a união dos obreiros, mas só conseguia administrar problemas os quais botava na conta da situação financeira do país.

Cumpre, a duras penas, os dois anos de seu mandato.  Chegam às novas eleições; insiste em se reeleger, contra a vontade da maioria, e resolve disputar o pleito, teimosamente.

O resultado era absolutamente previsto, perde feio para o outro candidato.
Enfurece, chama a todos de traidores; tenta, sem sucesso, impugnar a eleição alegando motivos fúteis.  Afasta-se da Ordem.  Não pode mais conviver com pessoas que não aceitam seu ponto de vista; que não seguem seus princípios; que não aceitam sua verdade.

 - Qual teria sido o seu erro?  Por que não o aceitavam mais?  Afinal, não dedicara todo o seu tempo em favor da Loja a ponto de quase se considerar dono dela?  O que será? – matutava ele.

Já não importa!

Perguntava-se se era o fato de ser um homem sem formação o que provocara tamanha rejeição.  A resposta era imediata, pois em seu tempo de convívio na Maçonaria tomara conhecimento que doutores e homens letrados tiveram o mesmo insucesso.

Chiquinho Peçanha não era mais o mesmo, tornou-se um homem arredio e inconformado.

O tempo passa e com ele as amarguras.  Ele nos ensina a pensar e, revolvendo nossos entulhos, descobre nossas fraquezas e fortalezas.

Contudo, os ensinamentos filosóficos da Ordem ficam como que marcados em nossas entranhas e vão nos dando nova conformidade de caráter.

Hoje, Francisco de Assis Peçanha já pensa em voltar.  Sua Loja voltou a crescer, como uma Phenix ressurgindo das cinzas.  Seus pensamentos clarearam e chegaram à grande conclusão que seu grande ímpeto precisava ser domado.  E assim foi feito.

Como já dito, Chiquinho Peçanha mudou e, agora, mais equilibrado, conseguia finalmente entender a grande filosofia maçônica; a ser mais tolerante e, principalmente, fraterno.  Compreendeu que não basta apenas entusiasmo pueril, um alfinete na lapela ou uma medalha para transformar um homem em um maçom.

Sua estrutura básica, contudo, não fora maculada; continuava a ser um bom homem e, graças ao maior ensinamento que a Maçonaria nos dá, que é a Fraternidade, conseguiu superar seus enrustidos complexos e manias de grandeza, transformando-se pelo doloroso processo de polimento da pedra bruta que era em verdadeira Pedra Polida.

Salve Venerável Mestre Francisco de Assis Peçanha!

“O presente conto é uma obra de ficção e como tal deve ser tratado.
 Qualquer semelhança com fatos e nomes terá sido mera coincidência”.
          



Rodrigo Otávio de Mattos – CIM 133.241 – M.'. I.'.
É membro da ARLS José Bonifácio nº 0486 – GOB-RJ                                          
do Or:. de Barra do Piraí – RJ.
 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários anônimos não serão ACEITOS. Deixe seu nome completo e e-mail para resposta.
Contato: foco.artereal@gmail.com

Postagens populares