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sábado, 7 de janeiro de 2012

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PEDRA Os quatro elementos e a viagem iniciática (*)

 

“Água que brota do Hermon
Que do orvalho está a derramar
Nos confins do mar vem se juntar
Para que o sol com seu fogo
Leve esta gota pro ar
Para depois virar chuva
E a terra fecundar”




            Já dizia o poeta[1]: ‘no meio do caminho tinha uma pedra’.

            Utilizando o objeto desta inspiração poética, no presente trabalho não nos referiremos, evidentemente, àquela ‘pedra’ e sim ao símbolo conhecido dos iniciados nos Augustos mistérios de nossa Sublime Instituição.

            Entretanto, jamais poderíamos imaginar que haveria uma ‘pedra’ no meio do nosso caminho e, ao contrário daquela referida por ditado popular (p.ex., uma pedra no sapato), essa pedra a qual nos referimos constitui marco inicial e objetivo singular do labor incessante do Maçom, a partir de sua iniciação.

            A Maçonaria como instituição iniciática, assim preconizado pelo artigo 1º da Constituição do GOB, contempla em seu processo de iniciação várias fases de elevado valor simbólico, prático e moral, a começar, como dito, pela cerimônia de iniciação.

            Na iniciação, por meio das viagens e provas simbólicas, passa o Candidato a conhecer os quatro elementos: a TERRA, AR, ÁGUA E FOGO como parte da VIAGEM INICIÁTICA.

            Os quatro elementos, em sentido amplo, podem ser compreendidos como aquilo que se tem por essencial à vida humana no planeta. Água, que se transforma com o calor do fogo em ar, que por sua vez fecunda a terra = vida.

            Como todo processo[2], a iniciação remete o candidato à sua primeira prova, a prova da TERRA, que ocorre de forma preambular.

            A preparação do candidato é pelo coração.

            Desligado das influências do mundo exterior, a câmara das RRefl\, a primeira das provas simbólicas, leva o Candidato a uma meditação e a tomada de uma singular consciência sobre si mesmo, sua crença em Deus, sobre a família, a Pátria, ao fim último da existência humana e, por fim, sobre a instabilidade e a fragilidade da vida.

            Passada a primeira das provas, a da Terra, adentra no Templo guiado pelo M\ de CCer\, tendo uma esp\ assentada sobre o peito.

            A ponta da esp\ simboliza a verdade.

            Estando privado dos sentidos, a sensibilidade sem a capacidade de ver simboliza a intuição e a consciência moral, a fé, que nada mais é do que ‘crer sem ver’ e por isso segue seu guia, sua consciência, e nada receia, dando início à viagem iniciática.

            Quando tomado conhecimento dos deveres e obrigações e sujeição às leis e regulamentos, presta juramento sobre a T\ Sagr\, cujo conteúdo do cálice simboliza o saber, os dons recebidos.

            A doçura é o inefável gozo do saber; o amargor, as desilusões, os obstáculos, querendo isso representar o conflito entre a visão ideal e a realidade material.

            A reversão entre a doçura e o amargor, significa também a autodestruição a que estaria condenado o perjuro, caso os propósitos não combinem com o juramento prestado.

            Como ensinamento, significa que os ‘dons’ recebidos devem ser utilizados de maneira sábia e na medida justa, com moderação e sem ostentação, não devendo, pois, serem desperdiçados, como enfatiza a parábola bíblica dos talentos, em que a vários são dados ‘talentos’, e todos devem multiplicar.

            Aquele que o enterra, sem render frutos, não é digno de sua percepção, tornando tudo isso parte de uma grande reflexão.

            Como o candidato é preparado pelo coração, persistindo a receber os ensinamentos, antes de dar o próximo passo, consulta seu interior para saber se empreende e se está disposto a enfrentar a continuidade da jornada iniciática, sentando-se no B\ das RRefl\.

            Persistindo, enfrentará as três viagens, consistente em provas, com ajuda do seu guia.

            Cada viagem representa um novo estado de consciência, um período distinto e uma nova etapa de progresso.

            Na primeira, a do AR, caminha-se a partir do Ocidente por percursos tortuosos, com obstáculos, variações eólicas, até passar pelo meio-dia, pelo Sul.

            O ar simboliza a vida, fôlego, respiração, oxigênio que nutre a vida. As tempestades, os obstáculos, os óbices. O guia, a faculdade interna com que nos dotou o G\A\D\U\, que nos orienta para o bem, o justo e o verdadeiro.

            A prova do AR ensina que o iniciado deverá enfrentar os obstáculos no desbaste de seus vícios e paixões, revelando constância e coragem, atingindo o progresso moral.

            A segunda viagem, a da ÁGUA, transposto por um terreno mais plano e menos tortuoso, ganha o combate, simbolizado pelos tinidos de esp\, desde o início da jornada no Norte até a chegada ao Setentrião, até ser purificado.

            A ausência de tempestade representa a superação das paixões e dos vícios. O tinir das esp\ é o emblema das lutas travadas consigo mesmo, contra as limitações, tendências negativas, pensamentos e paixões, cujos obstáculos se desenvolvem ao seu redor durante a caminhada.

            A água do Mar de Bronze é a imagem do vasto oceano que banha os continentes e ilhas da face da terra.

            A purificação pela água simboliza a superação do segundo estágio do desenvolvimento interior – o progresso intelectual, tão imprescindível ao homem na busca da Verdade e da Liberdade.

            É uma espécie de batismo filosófico que consiste em libertar a alma de suas imperfeições.

            Tem-se, então, que a prova do AR purifica os sentimentos; a da ÁGUA, o pensamento.

            A prova da ÁGUA ensina que há um oceano de inspirações para exercitar o progresso, a Paz, a Ordem, Justiça e o progresso social da Humanidade; contudo, quando estes conceitos são transgredidos, a água antes silente se transforma em fúria que destrói e desestabiliza. Mas, devemos ter em mente que assim como depois do vendaval vem a calmaria, depois das revoluções do progresso encontraremos a estabilidade.

            A prova do FOGO, o terceiro e último modo da purificação simbólica, não possui obstáculos ou variações e se transcorre do ocidente até o Oriente, até a purificação simbólica.

            O fogo e suas chamas, sempre simbolizaram aspiração, fervor e é admirado e até cultuado entre as mais diversas raças, povos e nações, até nossos tempos.

            A ausência de ruídos ou obstáculos representa a separação das fases emocional e mental, necessárias ao desenvolvimento espiritual.

            O fogo lembra a necessidade de aspirar a verdade, de bem servir os propósitos, e de trabalhar para a consecução do ideal iniciático depois de o Candidato ter superado as fases emocional e fortalecido o intelecto, tudo culminando na recepção da LUZ, quando então o candidato, apoiado nas evidencias de sua coragem e perseverança foi julgado digno de ser admitido, passando a, doravante, exercitar estes ensinamentos.

Conclusão:

            Na Maçonaria, há simbolicamente, mas com sentido bastante prático, uma personificação de todo o ideal iniciático, que é a P\B\. Comparada como um dos mais significativos emblemas dentro da Maçonaria, talvez ao lado do Esquadro e do Compasso, como pedra somos considerados individualmente, e coletivamente, somos chamados a formar com nossa pedra uma única e coesa edificação.

            Desde a iniciação, portanto, nos conhecemos como pedra a ser lapidada, cujo objetivo nos acompanhará durante toda a nossa jornada, sendo para muitos uma utopia.

            Assim é que no meio do caminho de nossas existências, até a iniciação, apareceu-nos uma pedra.

            O processo iniciático, apesar de vencido através da superação dos obstáculos simbólicos quando da iniciação, do progresso moral e intelectual que obtivemos, continua vivo, constante e necessário para o fim de bem desempenharmos aquilo que começamos um dia.

            Não devemos, pois, ficarmos estanques após iniciados, sem darmos continuidade à lapidação de nossas asperezas, nem tampouco, deixar ao acaso nossas promessas.

            Roguemos ao G\A\D\U\ que apesar de nossas limitações e defeitos, nos julgue dignos de sermos elementos transformadores sociais e individuais, para a edificação própria e para a construção um mundo melhor e mais justo e perfeito.


Ir\ Luís Antonio Piniano Procacino
Mestre Instalado – CIM nº 215.005
A\R\L\S\ LUZ DO INTERIOR nº 3724 – Oriente de Pinhalzinho/SP
Reuniões terceiras segundas-feiras do mês, às 20h30m
Templo provisório à Rua Prof. Fernando da Silva Leme, nº 100
Jardim do Sul, Bragança Paulista/SP
R\E\A\A\ - Filiada ao GOB, Jurisdicionada ao GOSP.

Bibliografia:

- Ritual do Gr\ de Apr\ M\;

- CAMPOS, Tito Alves de. Instrucional Maçônico – Grau de Aprendiz. GOB, 1996, 2ª ed.

- Enciclopédia livre WIKIPÉDIA.



[1] Carlos Drummond de Andrade, poeta, cronista, contista e tradutor (1902 - 1987).

[2] Processo, do latim ‘procedere’, é verbo que indica a ação de avançar, ir para frente, um conjunto seqüencial de ações.

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