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segunda-feira, 7 de maio de 2012

O SÉCULO XXI E A MAÇONARIA



 “O motor da mudança não é tecnológico, mas humano. Assim, a organização do futuro deverá ser coerente com a aspiração das pessoas por autorrespeito e autorrealização”. William O’Brien.

Por que a evasão de maçons das Lojas?

Entre muitos fatores temos: grupelhos de dominação, reuniões má elaboradas; criando uma rotina monótona, os parladores permanentes sem qualquer mensagem, a falta de um objetivo para a Loja, ou para a potência, ou para a Ordem; de um modo geral: a falta de uma administração efetiva e programada.

Se a Maçonaria fosse uma empresa, ela estaria falida, porquanto o seu regime de Governo está mais para a monarquia absoluta, do que para uma república democrática; pois os dirigentes, desde as lojas até os grão-mestres, são de um modo geral prepotentes e incompetentes em matéria de planejamento administrativo. São mais ditadores, do que os companheiros fraternais desta romagem terrestre.

Outro aspecto a ser abordado é o ponto de vista do cliente maçônico.

O que eles buscam nas lojas e na fraternidade?

Seria somente o autorrespeito e a autorrealização? Ou haverá outras causas?

Analisando a sociedade, no momento, notamos de um lado a busca do hedonismo animalizado pela sensualidade, pela glutanoria, pela evasão dos lugares de vivência para lugares exóticos; num falso prazer ótico, é a busca incessante de sensações e emoções a fim de satisfazer o nosso primitivo cérebro reptiliano. D’outro lado a procura da religião, também, dentro do primarismo de satisfazer as necessidades materiais, e não as espirituais.

Infelizmente, as religiões abastardam-se num comércio de benesses arrancadas de Deus a custa de pagamentos pecuniários, de magia evocativa ou gestual, através da interferência de um representante celeste na Terra, e, sobretudo, a resignação de viver na miséria e na dor, para poder ganhar o céu e ficar estático pela eternidade, olhando e adorando o criador.

Logicamente, os clientes da Maçonaria não pertencem aos epicuristas materialistas, mas ao grupo que procura uma nova perspectiva para suas aspirações espirituais. Possivelmente, passaram pelo misticismo animista e moralista, estão investigando uma outra forma de crença, para satisfazer-lhes a racionalidade: um misticismo racional.

Num século de profundo egoísmo, gerando um individualismo selvagem; onde não tem lugar para os afetos humanos.

Há somente o interesse em explorar o outro para o próprio benefício econômico. Neste ambiente social de guerras de todos os tipos, os homens vão atrás de uma paz, de compreensão, de comunhão com todos aqueles que têm as mesmas aspirações.

Chegando as lojas, após a bela dramatização da iniciação; depois a elevação; mais tarde a exaltação; se ele não for bastante desembaraçado e curioso, passará a ser simples espectador de cenas que se repetem monotonamente, sessões após sessões, sem qualquer organização, motivação, ou uma ação global para todos os participantes; levando-os as situações inquietantes geradoras de:

a) desinteresse pelos conteúdos e atividades propostas pelas lojas; e

b) insatisfação em relação ao que fazem e como fazem.

Nada encontrando de útil para si, o cliente deixa de comprar o produto supérfluo, mal-embalado, e às vezes caro, não lhe restando outra solução: o abandono.

Modernamente, considerando algumas ideias profanas numa visão mais atualizada da administração de uma empresa vencedora, teríamos os métodos dos sistemas, de uma Organização de Alto Desempenho, ou uma das mais em moda:
Gerência para a Qualidade Total, cujos princípios básicos seria criar uma organização capaz de adaptar-se as novas tecnologias, as novas condições ambientais geradas pelos nossos valores humanos, além de ser flexível, e ainda em relação à Maçonaria, haveria, dentre outros os seguintes propósitos:

1) desenvolver lideranças efetivas;

2) investir em tecnologia de informação para obter respostas rápidas;

3) adotar um sistema eficaz de comunicação; e

4) fazer o planejamento estratégico em todos os níveis com metas bem definidas, objetivos bem
operacionais.

Tudo isto como um começo para, segundo o filósofo colombiano Bernardo Toro, as principais competências pessoais para o próximo século serão:

1) alta competência em leitura e escrita;

2) alta competência em cálculo matemático e resolução de problemas;

3) alta competência em expressão escrita: precisão para descrever, precisão para analisar e comparar,
precisão para expressar o próprio pensamento;

4) capacidade para descrever, analisar e criticar o ambiente social;

5) capacidade para recepção crítica dos meios de comunicação de massas;

6) capacidade para criar, trabalhar e decidir em grupo: aprendizagem cooperativa; e

7) capacidade para localizar, ter acesso e usar informações acumuladas (guardados em bancos de dados).

Estas são algumas proposições sobre as qualidades do homem para o século XXI, e não nos podemos esquecer que a Maçonaria é herdeira do Humanismo medieval, centrado no indivíduo, o qual para o futuro deveria não só saber usar a tecnologia, mais em especial a de informação, e poderíamos desde já pensarmos numa rede de computadores de cada potência, reunidas numa rede geral de todas elas.

Para chegarmos ao milênio que se avizinha, torna-se evidente a necessidade de abandonarmos dogmas e preconceitos de um passado obscuro, e iniciarmos a viver o aqui e agora, analisando e criticando as arcaicas estruturas maçônicas legais, organizacionais, filosóficas, de usos e costumes, e mesmo ritualísticas.

O tempo não espera. Ele passa rápido destruindo as estruturas de alto gasto energético, e construindo composições mais econômicas e eficazes. Ou se evolui ou se perece, não há terceira opção.

(Breno Trautwein)

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