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terça-feira, 1 de maio de 2012

O VALOR TRADICIONAL E MÍSTICO DA INICIAÇÃO MAÇÔNICA



A Iniciação Maçônica é completa em si mesma, quando o Maçom, depois de ter galgado sucessivamente os degraus do Aprendiz e do Companheiro, chega ao grau de Mestre.

Mas o iniciado deve poder romper a casca mental, isto é, fugir do racionalismo esterilizante, para atingir a transcendência; somente depois de romper essa casca é que se torna possível o acesso a verdadeira iniciação.

Todos os símbolos abrem portas, sob a condição de não nos atermos apenas – como geralmente acontece - as definições morais.

São muitos os que se declaram “racionalistas” e que qualificam de “simbolistas” – com uma nuança pejorativa – aqueles que tomaram consciência do valor iniciático da Maçonaria.

Convêm analisar o vocábulo “racionalismo” e examinar os limites por ele impostos. O racionalista (de ratio, razão) recusa-se a levar em consideração tudo o que vai além dos limites de seu entendimento. Sua concepção e seu conhecimento do mundo arriscam-se, por isso, a ser consideravelmente amesquinhados, a medida de sua inteligência e de seu saber. E essa posição intelectual prova ser realmente lamentável.

Tal atitude de limitação, para ser lógica suporia uma vasta cultura; desse modo, o racionalista comum só pode confiar naqueles que professam sua fé – pois existe uma fé – e que considera mais “sábios” do que ele próprio. Ele pode, portanto, ater-se as leis físicas e psicológicas conhecidas e deve rejeitar – como manchado de erro – tudo o que vai além dessas leis. Estranho amesquinhamento de sua concepção do Universo.

O racionalista faz alarde de ser “cientifico” e de que não passa de um “cientista”; ele admite que a “Ciência” faz conhecer as coisas tais como elas são, que ela resolve todos os problemas e que ela basta para satisfazer todos os desejos da inteligência humana. Para admitir um fato, a ciência exige que ele possa ser repetido a vontade; ela exige também que ele se enquadre em suas leis gerais. Ora existe uma série de fenômenos que não satisfaz essas condições e cuja realidade não é, absolutamente, objetiva.

O racionalista fixa-se em sua concepção e dela faz um dogma, agindo assim como um fanático, exatamente como os féis de não importa que religião, de não importa qual igreja, para os quais não existe salvação fora dos dados teológicos que lhes são próprios.

A Ciência não passa de uma crença que se apoia em hipóteses continuamente renovadas; é inútil e ilusório pedir a ela o que ela não pode dar: o conhecimento espiritual.

 “O conhecimento ou a inteligência do divino, diz Jamblique (De mysteriis, II, 11), não basta para unir os fieis a Deus; se assim fosse os filósofos, por suas especulações, realizariam a união com seus deuses. É a execução perfeita e superior a inteligência de fatos inefáveis, é a força inexplicável dos símbolos que fornece o conhecimento das coisas divinas.”

Ora, a Franco-Maçonaria é uma verdadeira escola de iniciação e não como julgam comumente, uma associação fraterna com finalidades mais ou menos políticas.

A iniciação, tal como a concebiam as antigas “Sociedades de Mistérios” e tal como a praticam ainda as seitas mais ou menos evoluídas da África negra ou Ásia misteriosa, a iniciação “abre portas” até então proibidas ao recipiendario. Além do mais, a transmissão ininterrupta dos “poderes” integra o impetrante a Egrégora do grupo e o faz participar, apesar dele, da vida mística e profunda da própria essência dos símbolos.

Essa “iniciação” verdadeira é Una no tempo, no espaço, nos ritos, embora os costumes sociais ou étnicos daqueles que a praticam sejam diferentes. A Iniciação Maçônica torna palpável essa Unidade do Conhecimento através das seitas e dos ritos.

Será possível provar a filiação maçônica iniciática mediante fotos precisos? Será possível afirmar que essa filiação é inexistentes?

René Guénon é muito categórico a respeito: “Não existem mais no mundo ocidental organizações iniciáticas capazes de reivindicar para si uma filiação tradicional autêntica senão as Associações de Obreiros e a Maçonaria”. Contudo, ele não fornece nenhum argumento, a não ser especulativo, para apoiar sua tese.

“Albert Lantoine, o erudito historiador da Maçonaria, pouco suspeito de misticismo, diz a respeito da influencia dos Rosa-Cruzes sobre a Maçonaria:” Para nós há mais do que pontos de contato: há uma interpenetração que fez da velha maçonaria uma nova franco-maçonaria.

Aliás, não podemos explicar por outro modo todo esse simbolismo místico... Portanto – e esse ponto é extremamente importante para os decifradores de símbolos – nós veríamos aí a explicação muito natural, muito simples desse ritualismo que, em lugar de se ter transmitido por sucessivas associações misteriosas, teria sido implantado por inovadores curiosos de reminiscências iniciáticas.

Seja como for, assim como o movimento se prova caminhando, a Maçonaria prova seu valor iniciático com todo esse aparato simbólico que ela conserva e de que se utiliza.

(Jules Boucher)


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