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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A CARBONÁRIA



Tudo isto faz parte do mistério?
O meu antepassado terá sido um iniciado na Carbonária?
Ter-se-á a tradição perpetuada no Canadá até finais dos anos 1700?
Que outras razões poderiam ter levado os descendentes a conservar esse nome até a quarta geração?
Rito em Maçonaria a palavra tem dois significados diferentes, como é escrita com maiúsculas ou minúsculas. Rito é designado para um determinado ramo da Maçonaria, da mesma forma que no interior da Igreja, existem diversos ritos, incluindo o rito maronita, o rito copta, o rito latino, etc.
Tal como definir um rito especial da Maçonaria cujo caráter é distinto dos outros ritos da forma. Entre os muitos ritos na maçonaria se podem destacar o Rito Escocês, o Rito de Emulação, o Rito de Perfeição, o Rito Escocês Antigo e Aceito, o Rito de Misraim, o rito York, o Rito Francês, o Rito Sueco, o Carbonara, etc. O número de Ritos é muito grande, só no Dicionário Universal da Maçonaria, existiram uns 300 Ritos; atualmente ha 54 Ritos maçônicos praticados no mundo.
Rito é chamado (com letras minúsculas), a diversos atos cerimônia de início (como o ritual de despojar de metais ao iniciado) ou o desenvolvimento dos trabalhos no seio do Loja, que é regulada pelo formalismo iniciáticos efeito.
Carbonária
A Carbonária era uma sociedade secreta, secretíssima e revolucionária que atuou na Itália, França, Portugal e Espanha nos séculos, XIX e XX. Fundada na Itália por volta de 1810, tinha a ideologia assentada em princípios libertários e que se fazia notar por um marcado anticlericalismo. Participou das revoluções de 1820, 1830-1831 e 1848. Embora não tendo unidade política, já que reunia monarquistas e republicanos, nem linha e ação definida, os carbonários (do italiano carbonaro, “carvoeiro”) atuavam em toda a Itália.
Reunia-se secretamente nas cabanas dos carvoeiros, derivando daí seu nome. Foram também os inventores do espaguete à carbonara. Inventaram uma escrita codificada, para uso em correspondência, utilizando um alfabeto carbonário.
Durante o domínio napoleônico, formou-se na Itália uma resistência que contou com membros de uma organização secreta – a Carbonária. A carbonária tinha uma organização interna semelhante à da Maçonaria, com a qual, aliás, tinha algumas afinidades ideológicas (combater a intolerância religiosa, o absolutismo e defender os ideais liberais) e esteve aliada em certos momentos, havendo mesmo elementos que pertenciam às duas organizações. Ela surgiu em Nápoles, dominada pelo general francês Joaquim Murat, cunhado de Napoleão Bonaparte. Lutava contra os franceses, porque as tropas de Napoleão haviam iniciado uma espoliação da Itália, embora defendessem os mesmos princípios de Bonaparte.
Com a expulsão dos franceses, a Carbonária queria unificar a Itália através de uma revolução espontânea da classe trabalhadora, comandada por universitários e intelectuais, e implantar os ideais liberais.
Os membros da Carbonária, principalmente da média e da pequena burguesia, tratavam-se por primos. As associações da Carbonária tinham uma relação hierárquica. Chamavam-se choças (de menor importância), barracas e vendas, sendo estas as mais importantes. As vendas, cada uma contendo vinte membros, desconheciam os grandes chefes.
 Todas as orientações eram transmitidas por elas. Havia uma venda central, composta por sete membros, que chefiava o trabalho das demais. A Carbonária não tinha nenhuma ligação popular, pois como sociedade secreta não propagandeava suas atividades. Além disso, a Itália era uma região agrícola e extremamente católica, com camponeses analfabetos e religiosos, que tradicionalmente se identificavam com idéias e chefes conservadores.
Silvio Pellico (1788–1854) e Pietro Maroncelli (1795–1846) foram membros proeminentes da Carbonária. Ambos foram presos pelos austríacos por anos, muitos dos quais, na fortaleza Spielberg, em Brno, no sul da Morávia. Depois de solto, Pellico escreveu o livro Le mie prigioni, descrevendo seus dez anos na prisão. Maroncelli perdeu uma perna na prisão e ajudou na tradução e edição do livro de Pellico em Paris (1833). Outros proeminentes membros da sociedade foram Giuseppe Garibaldi e Giuseppe
Mazzini, que posteriormente saiu da sociedade e passou a criticá-la.
As revoluções foram sufocadas pela França de Luís Napoleão e pelos Habsburgos austríacos, que procuravam manter seu significante poder na Itália (Veneza e Milão eram partes do Reino Lombardo-Vêneto governado pelo Império Austríaco e o Reino das Duas Sicílias era governado por um monarca Bourbon, muito influenciado pelo governo francês). O fracasso das revoluções mostrou que a unificação não seria alcançada por idealismo. A unificação italiana foi realizada posteriormente entre 1860-1870 pela diplomacia e guerra sob a égide do Reino Sardo-Piemontês.
A Carbonária como sociedade, com origem na noite dos tempos, e que permanece bem misteriosa. Nada sabemos dos primeiros ritos praticados, pois foi através do gesto e da oralidade que se perpetuaram. Os iniciados não deixaram vestígios de escrita. A estrutura antiga do “pensamento da floresta” é anterior ao Império Romano e recobria toda a Europa céltica, tanto atlântica como germano-escandinava, e o conjunto das regiões balcânicas. Um estudo arqueológico e antropológico das eras de Hallstatt (entre 800 e 450 a.C.) e de La Tène mostranos uma sociedade pré-industrial forte e brilhante, cuja estrutura assenta em clãs disseminados pelo seio das florestas (lugares sagrados para os celtas).
A Carbonária era de fato um companheirismo reservado aos que trabalhavam nos ofícios da madeira e da floresta, associados à trilogia artesanal celta: “lenhador carvoeiro – ferreiro”. Falando de maneira prosaica, era, também, forma de fidelizar uma mão-de-obra difícil de interessar. Esses ofícios exerciam-se fora das cidades, fora dos poderes da Igreja e da Monarquia, mas em defesa de uma grande ligação à natureza e de uma espiritualidade pagã (do latim paganus =campesino).
Esses habitantes da floresta exerceram uma prática Iniciática na transmissão do conhecimento do seu ofício, e, naturalmente, adotaram rituais, cerimônias e símbolos à margem do Cristianismo.
Para levar esses rostos de fuligem ao seio do Catolicismo, um monge insinuou-se entre eles no século XI. Teobaldo (1017-1066), nascido em Provins, en Champagne, eremita, que, na origem, pertencia à família dos Thibault Conde de Champagne, encarregou-se de evangelizar os carbonários. Conta a lenda “que eles (carvoeiros) viviam em estado de primitivismo e de barbárie ignóbil e que Teobaldo lhes ofereceu, além de Cristo, a moral e os meios, para escaparem à animalidade na qual tinham mergulhado”.
Na verdade, sabe-se que não era assim. Mais uma vez, a Igreja teve de diabolizar e de animalizar aos que evangelizou, para melhor justificar os seus fins.
O silêncio instalou-se sobre a Carbonária durante 400 anos. Depois, no século XV, o nobre proscrito, que tinham encontrado refúgio nas florestas borbonesas, durante as lutas marcantes dos reinados de Carlos VIU (1368-1422) e Carlos VII (1403-1461), foram iniciados pelos carvoeiros, que, por obrigação e por dever, estavam sempre presentes nessas florestas, altamente protetoras da sua liberdade.
As assembléias, ou vendas, na linguagem da Carbonária, tinham lugar nos meios aristocráticos e na corte do rei. A nobreza apreciou grandemente essa Maçonaria, em que o disfarce permitia os prazeres da boa carne e os brilhos da alta diversão.
Um dos seus mais prestigiados defensores teria sido Francisco I (1494-1547), que, um dia, tendo-se perdido na floresta durante uma caçada, caiu furtivamente no meio de uma reunião ritual dos Carvoeiros. Esses, por dever de ofício, ofereceram-lhe hospitalidade. Como foi muito bem recebido, pediu para passar às provas, o que lhe foi concedido de imediato. Sentando-se sobre o cepo, que servia de trono ao “Pai Mestre”, o rei forçou aquele a desalojá-lo com a seguinte frase, que veio a transformar-se em provérbio: “Senhor, o Carvoeiro é mestre em sua casa”.
Já se disse, muitas vezes, que, a partir de então, Francisco I ganhou o hábito de tratar os seus próximos por “meu Bom Primo” ou “minha Boa Prima”, tornando-se “protetor dos lenhadores e carvoeiros”.
E, depois, de novo, o silêncio.
Em França, a Franco-Maçonaria teria aparecido em Saint- Germain em Laye, em 1688. Mas, também, nesse ponto, diferem as opiniões, quanto ao nascimento da primeira Loja francesa.
Etienne Gout sustenta que a primeira Loja conhecida em França dataria do dia 1 de Junho de 1726. É oportuno assinalar essas datas, pois a Carbonária baseará, no futuro, os seus ritos florestais sobre a Franco-Maçonaria. Será preciso esperar, exatamente, 200 anos após a morte de Francisco I, para a instalação em França de um rito florestal misto, por Charles François Radet de Beauchesne (ou Beauchaine), um deslizamento não-velado para a Franco-Maçonaria revolucionária.
O cavaleiro de Beauchesne tentou, perto de 1747, recuperar, em seu proveito, os Ritos dos Lenhadores, mas a Ordem dos Lenhadores, dita do Grande Alexandre da Confiança, constituiu a mais específica tentativa de evolução operativa da Franco-Maçonaria da Madeira, entre 1760 e 1770.
De resto, esse Rito não foi inventado por Beauchesne, mas, apenas, captado por ele na seqüência de uma transmissão, levada a cabo por um responsável das Águas e Florestas do Condado de Eu. As diferentes corporações de ofícios dos florestais apresentam evolução histórica comparável com a da Franco-Maçonaria tradicional da pedra. Interrogamo-nos se uma não terá bebido na outra os seus rituais, e vice-versa. Reparamos nas famosas saúdes dos banquetes maçônicos: “Fogo! Grande Fogo! Fogo perfeito!”. Não será ela a perfeita restituição das três fases de carbonização dos feixes de lenha, ou medas dos carvoeiros, que ritmam o sacrifício da árvore e a sua transformação em carvão vegetal? E as famosas lojas maçônicas… não provêm dos usos e costumes dos carvoeiros?
“Os carvoeiros viviam com as famílias em cabanas a que chamavam lojas. Pouco a pouco, formaram-se aldeias com nomes como esses: Lojas de Dressais, Lojas da Cueille, Lojas de
Cherpères, Lojas de Brenne, Lojas de Jopeau…”
Para voltarmos à História de França, a narrativa dos quatro Bons Primos de Larochelle, cuja cabeça caiu sob a guilhotina da Restauração, em 1822, relançou certo interesse pelos mitos do Carbonarismo dirigido por La Fayette. Associada de preferência a uma grande milícia secreta, cujo modus operandi era ditado pelos ritos da Franco-Maçonaria da Madeira, a Carbonária nada tem em comum com a Charbonnerie do século XI ou anterior. Claro, os 40.000 Bons Primos Carbonários dos anos 1800 procuraram manter as suas tradições em França até ao século XX, com maior ou menor sucesso.

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