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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A PEDRA BRUTA DE CADA UM



A imagem da pedra, principalmente quando de grandes dimensões, provocou sempre a admiração e o espanto do ser humano, como podemos verificar pelas construções megalíticas dos antigos povos. Temos vários exemplos: as construções célticas e druídicas da França e Grã Bretanha, como os dolmens, menires, com o mais importante calendário de pedra do mundo - Stonehenge; as pirâmides do Egito e dos povos das Américas; e todas as maravilhas do mundo antigo que até hoje nos espantam por sua beleza e estabilidade.

Mas não somente as pedras grandiosas foram objeto das homenagens do homem. As pedras em geral foram reverenciadas nas manifestações religiosas tanto pela sua solidez como pela sua durabilidade, denotando a firmeza inabalável que é o atributo da própria Divindade, e fossem elas preciosas ou não.

Por esta razão, os homens procuraram sempre edificar com pedras os Templos dedicados aos seus deuses, onde em alguns casos mais primitivos proibia o povo de construir suas habitações com outro material que não fosse à terra cozida ao sol.

Como elemento tirado diretamente da Mãe Terra, a pedra possuía as qualidades necessárias para que as casas ou quaisquer edificações mantivessem as qualidades e o clima do “útero” da terra, ou seja, as grutas e cavernas, onde se realizavam alguns rituais e onde moraram os primeiros homens. Isto se deve principalmente pelo fato de as primeiras religiões serem de cunho totalmente naturalista, com rituais sempre ao ar livre.

Tais ligações com a terra existem também nas Iniciações Tradicionais no que diz respeito à Câmara de Reflexões ou àquele lugar isolado em que o candidato fica ao abrigo unicamente de sua própria consciência antes de passar pelo Portal que fica entre as Colunas e remetendo-o ao elemento terra.

Em toda parte na antigüidade a Arquitetura foi uma arte sagrada e muito intimamente ligada aos sacerdotes e à religião. Posteriormente foi na Idade Média, com a arte dos Maçons Operativos e dos construtores das grandes catedrais da época, também conhecida como a Arte Real dos Talhadores de Pedra, que a pedra ganhou notoriedade no ocidente e mais particularmente na Europa.

Tais obreiros do Divino foram inovadores com o estilo Gótico (ou seriam mais bem qualificados como revolucionários?), tendo adquirido junto à Ordem dos Templários os fundamentos desse estilo de construção que ainda hoje vemos nas Catedrais mais famosas do mundo, como Notre- Dame e Chartres, ambas na França.

Lembremos que no cerne dos Templários encontravam-se os Irmãos Rosacruzes do Oriente, detentores do saber que deu origem à atual Tradição Rosacruz.
A esses Construtores Operativos do passado sucederam os Maçons Especulativos de hoje em dia, ditos tradicionalmente por este termo por trabalharem simbolicamente e não mais nos canteiros de obras. Estes adotam os usos, costumes, regulamentos e instrumentos daquelas antigas corporações, que eram Fraternidades operárias de construtores.

Nas antigas Fraternidades o Aprendiz do ofício ocupava o grau mais inferior da escala entre os operários. O Aprendiz, por exemplo, é uma denominação de primeiro grau usada em todos os Ritos maçônicos.

Assim, constituindo a Arquitetura uma das bases do simbolismo tradicional, a pedra nele ocupa abundante representação, simbolizando, em geral, todas as obras morais e todos os materiais da inteligência humana em prol da evolução interna e da humanidade. Estes materiais são empregados para fins simbólicos e de evolução do homem como um todo e como símbolo da própria sociedade, recebendo várias denominações de acordo com seu simbolismo inerente.

A primeira denominação corrente diz respeito à Pedra Bruta, que é o emblema da pedra informe e irregular que desbastam os Irmãos Aprendizes ou Neófitos desde sua iniciação. É o símbolo da idade primitiva e, por conseguinte, do homem sem instrução e em estado natural, bruto em essência, necessitado de mais Luz e conhecimentos para melhor servir.

A Pedra bruta é a imagem da alma do profano antes de ser instruído nos Mistérios e figura entre os objetos emblemáticos que devem ser representados sempre nos primeiros graus. Os trabalhos dados aos Aprendizes têm por objetivo demonstrar ao novo Iniciado a escravidão em que vive, despertando em seu coração o sentimento de sua própria dignidade e incentivando-o ao estudo da Verdade.

Aqueles que se encontram na Senda devem sempre lutar contra os inimigos naturais e internos do próprio homem que são: as paixões mundanas, a luta contra os hipócritas, os perjuros, os fanáticos e os ambiciosos, e os que especulam com a ignorância e o obscurantismo, buscando combatê-los com vigor. 

Esta é a antiga batalha entre a Luz e as trevas, travada desde sempre dentro e fora da Alma humana e tornada histórica pelos antigos Cavaleiros, representantes da busca do Graal, mas que lutam neste mundo para tomá-lo a si renovado pela Luz Crística. Com este trabalho, o Aprendiz ou Neófito passa das trevas para a Luz durante a jornada mística de sua vida.

No simbolismo antigo via-se comumente uma Pedra Bruta, sem forma definida, colocada no caminho do Iniciado na entrada e junto de uma das duas colunas do Templo, conhecidas na tradição por Jakim (J) e Boaz (B) e estas símbolos da dualidade deste mundo manifestado. Juntamente com essa Pedra encontrava-se um Malho (ou martelo) e um cinzel (ou ponteiro). O recém chegado à Iniciação devia começar a trabalhar e a estudar para adquirir o conhecimento do simbolismo do seu ofício, sua aplicação e interpretação filosófica, onde a este trabalho dava-se o nome de “Desbaste da Pedra Bruta”.

Por isso, tão logo o novo Irmão tivesse recebido a primeira fresta de Luz dos Mistérios, o Mestre de Obras representante dos Trabalhos iniciáticos da corporação completava a instrução acompanhando-o então até a citada Pedra Bruta onde, entregando-lhe o Malho, ensinava-lhe a dar os golpes misteriosos com os quais deveria chamar no futuro às portas dos Templos, explicando-lhe ao mesmo tempo o seu significado Crístico: busca e encontrarás; chama e te abrirão; peça e te darão.

O Malho simboliza a vontade firme e decisiva daquele que o usa. Simbolicamente, para este trabalho, o Aprendiz deve utilizar, além do Malho, também o Cinzel. Este retira as asperezas da Pedra, o que equivale à faculdade de apreciar com retidão; é o julgamento sem ação e sem força digno dos Iniciados. O Cinzel é equilibrado pela firmeza e pela direção dada pelo Malho.

Um não pode passar sem o outro e o desenvolvimento destes símbolos cria um equilíbrio no psiquismo do Iniciante. Se o Malho existisse só seria uma força cega que, batendo na pedra, quebrá-la-ia em mil pedaços em lugar de lapidá-la. E temos que a vontade é uma força admirável; porém, se ela não for conduzida por uma julgamento esclarecido - o Cinzel se torna má, tanto para aquele que a possui como para aqueles que sofrem os seus efeitos.

Este perfazia, assim, o primeiro trabalho simbólico do Aprendiz na Senda mística e operativa desde a Admissão aos Antigos Mistérios corporativos em busca de mais Luz e de um maior aperfeiçoamento como ser humano, ou seja, como o Homus Novus que está à imagem e semelhança de Deus. É a pedra informe que os Iniciados devem desbastar para poder alcançar o grau seguinte.

Todo este engajamento iniciáticos obriga o novato a repensar sua vida, suas atitudes do passado e do presente, moldando uma nova personalidade para o futuro.
Alguns antigos Construtores afirmavam, também, que a Pedra Bruta era análoga à Matéria-Prima dos Hermetistas, devendo ser talhada com cuidado com o Malho para que chegasse a apresentar a forma de um cubo, sendo esta uma forma mais perfeita e que estaria em melhores condições de servir e de “encaixar-se na construção da Humanidade" e nas Obras daquele que era conhecido por muitos como o Grande Arquiteto do Universo. Isso caracteriza o desejo de se chegar à conquista da Pedra Filosofal que nos remete à Alquimia do eu interior - a Pedra Cúbica dos Maçons. A Alma, transmutando todos os seus defeitos em virtudes, e tornando assim o homem comum naquele revivido como verdadeiro Estado Crístico, como nos ensina René Guenon em suas obras.

Talvez por isso nossos Mestres do passado tenham deixado gravadas nas pedras das Catedrais e das pirâmides tantos símbolos secretos, pois o homem que renasce na Iniciação não morre jamais, como jamais morrerão tais obras que servem como verdadeiros livros de pedra para a posteridade.
Por: Adílio Jorge Marques

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