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terça-feira, 22 de novembro de 2011

MAÇONARIA BRASILEIRA LIBERAL?


Tentar identificar a Maçonaria brasileira com o Liberalismo oferece dificuldades específicas, apesar da história da Instituição dos chamados “pedreiros livres” estarem intimamente ligado à luta contra o absolutismo.
Desde o seu início regular, recebeu nos seus quadros uma quantidade significativa de conservadores.
Entretanto, é difícil chegar a um consenso acerca do que seja um maçom liberal ou conservador e do que existe de democrático na Maçonaria, pois o Liberalismo é precisamente o que distingue a democracia liberal das democracias não-liberais, como as que existiram no Brasil durante os períodos de arbítrio com Maçonaria, com raríssimas exceções, sempre atuante.
Acrescente-se uma certa indefinição, no tempo e lugar, quanto aos referenciais históricos do termo Liberalismo no Brasil. Daí a célebre frase de Holanda Cavalcanti:
“Nada mais igual a um Saquarema do que um Luzia no poder”
O Liberalismo é um fenômeno histórico que surge na Idade Moderna. Com efeito, na era da descolonização, o Liberalismo é menos absorvido na América Latina do que as ideologias nascidas na Europa, como a democracia, o nacionalismo e o socialismo.
Para o historiador, de todo o modo, o Liberalismo deve representar um fato histórico. Todavia é possível encontrar diversas definições históricas; não basta a marca do liberal, como pretendeu Holanda Cavalcanti, para entender uma época histórica.
Desde 1817 que as associações para-maçônicas, como se verifica no movimento de 1817 em Pernambuco, contra o domínio português, souberam articular-se com as academias que pregavam o ideal de liberdade, mas esta liberdade não pugnava pelo Liberalismo como hoje é entendido.
 Nem mesmo o sentido republicano dado por alguns pesquisadores da Revolução pernambucana nos autoriza o entendimento de uma Maçonaria republicana e liberal, apesar dos membros destas academias estarem influenciados pelo ideário da Revolução Francesa, cujo membro mais expressivo é o do general Gomes Freire de Andrade na sua luta para derrubar a Junta Governativa, quando se fixa em Lisboa e tenta derrubar o marechal Beresford.
No Brasil Imperial o termo liberal indicava uma atitude tolerante, ou as profissões exercidas pelos homens livres. A tolerância liberal da Maçonaria brasileira nos autoriza admitir que, apesar de ter o Iluminismo chegado a reboque na pregação da liberdade dentro das academias e das sociedades secretas, das pregações individuais daqueles que estudaram na Europa ou leram os livros das luzes, a Maçonaria foi a grande responsável pelo fato do Brasil ter tido uma experiência monárquica importante e válida.
Não seria nenhum absurdo, portanto, afirmar que o nível de ingenuidade estabelecido no transcorrer da história do Liberalismo maçônico durante o Império, com maçons defendendo idéias contingentes no Parlamento, não era um Liberalismo genuíno, mas membros de Partidos que se inspiravam nas idéias liberais que não desenvolveram uma política coerente com os princípios proclamados ao lado de outros que se inspiravam nas idéias liberais que não tomaram o nome de liberais; o que não significa que na Maçonaria brasileira inexistiam idéias liberais.
Muito própria do Brasil Império, a idéia conservadora não deve ser entendida como uma crítica à Maçonaria, mas um ajustamento da sua doutrina com a realidade política praticada no Brasil. No Império os maçons lutavam contra a opressão clerical e contra o absolutismo. Pretendiam a laicidade do Estado e do ensino, admitindo a Monarquia desde que respeitada a soberania popular.
Muitas acusações foram feitas contra a Maçonaria brasileira com o equivocado argumento de que ela defendia uma ação subversiva contra as instituições monárquicas e ódio profundo contra a Igreja. Como validar tais argumentos, se o seu segundo Grão-Mestre foi o primeiro Imperador do Brasil e dezenas dos melhores nobres e tantos clérigos pediam a iniciação?
Na verdade, a expansão dos modelos doutrinários burgueses na formação do pensamento maçônico brasileiro foi respondida pela Igreja Católica com o distanciamento e depois com práticas de franca hostilidade.
O fortalecimento da corrente conservadora estava diretamente articulado à permanência da sua subordinação às diretrizes regalistas do estado Monárquico. Por outro lado, há que se considerar o fortalecimento da parcela burguesa maçônica, principalmente a que defendia um radicalismo democrático de que se revestiu conjunturalmente o processo abolicionista e até mesmo o golpe de 1889, instaurando a República no Brasil.
Olhando para o passado os maçons de hoje deveriam ver o Liberalismo não como uma simples ideologia política de um determinado partido, mas como uma “encarnação” nas estruturas sociais e nas instituições políticas que estão à espera de um novo renascer, de uma nova e revitalizada vida liberta das ambigüidades que o próprio termo liberal confinou por tanto tempo nas masmorras da incompreensão.
Por fim, não me parece que o povo maçônico tenha consciência dos seus direitos e da necessidade que existe de sua participação na tomada de decisões para que se possa consolidar uma Maçonaria democrática em que as divergências sejam aceitas, porque vista como natural na vida maçônica nos países mais desenvolvidos.
Não importa que as Constituições maçônicas apresentem traços liberais. O que está escrito é uma coisa muito diferente daquilo que efetivamente vem sendo praticado. Se me perguntarem se existe uma Maçonaria liberal no Brasil, responderei que existem alguns maçons que se consideram liberais, pois a Maçonaria do Brasil, como o próprio país, jamais foi, de fato, liberal.

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