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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI


A expressão pode ser traduzida como “a glória do mundo é passageira”. Ao que tudo indica  a origem desta sentença está numa variação de outra frase presente na obra medieval “Imitação de Cristo”, atribuída ao monge agostiniano Thomas Kempes, que viveu lá pelo século XV. Na Imitatio estava escrito O quam cito transit gloria mundi, algo que podemos precariamente traduzir como “o quão rapidamente passa a glória do mundo”. Seu significado, embora macabro, é bem simples; seu propósito, religioso, é ainda mais fácil de ser compreendido. Explicando-o, uma vez constatada a brevidade da vida, deveria nos voltar às coisas ditas espirituais, pois estas são consideradas eternas. Desse modo, de nada valeria nos dedicarmos àquilo que é transitório, terreno, como glórias, conquistas e alegrias mundanas, mas sim deveríamos nos voltar para o que fosse duradouro, sempiterno, extramundano, para algo que estivesse no além.

Atualmente, essa expressão medieval foi transformada num bordão empregado nas mais variadas situações. Por exemplo, ela é citada três vezes ao longo da magnífica cerimônia Católica de entronação dos Papas. Ao mesmo tempo, são diversos os rituais maçônicos onde ela ocorre. Não se sabe exatamente quais foram às razões que levaram os doutrinadores a colocarem o Sic Transit Gloria Mundi nestas cerimônias tão distintas, mas é bastante razoável supor que a óbvia reflexão espiritual suscitada pela expressão, acerca do caráter transitório das glórias e das conquistas mundanas, tenha sido sua motivação básica. Talvez até mesmo não exista outro motivo, senão a reflexão deste que é o seu sentido mais aparente.

Contudo, não é somente nos ilustrados meios eclesiásticos e iniciáticos que a expressão aparece. De tão grandiosa que ela se tornou, até mesmo a pena dos fantásticos Albert Uderzo e René Goscinny, criadores das inigualáveis “As Aventuras de Asterix”, tratou de registrá-la. Se você alguma vez leu qualquer uma dessas hilárias histórias, haverá de se lembrar que nelas há a recorrente e invariavelmente cômica figura daqueles desafortunados piratas, cujo barco é sempre afundado pelos gauleses Asterix e Obelix. Pois bem, na edição do Às 1001 Horas de Asterix (do original Asterix chez Rahazàde, também publicado em inglês sob o título Asterix and the Magical Carpet – edição que ficou totalmente a cargo de Uderzo), após novo encontro com os gauleses, os piratas tomam mais uma apocalíptica surra e perdem tudo que tinham. Refletindo sobre o que ocorreu, um dos piratas, latinista que era, diz conformado: SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

Esse feliz e irreverente uso do Sic Transit Gloria Mundi dá o que pensar. Na verdade, para mim ele é inspirador. No mínimo, nos lembrará que é perfeitamente possível mudar um pouco a perspectiva, deixando-a mais interessante e menos macabra.

Assim, dentro desse novo contexto, pensar na transitoriedade da vida humana pode nos valer outra reflexão. Se todas nossas glórias, conquistas e alegrias mundanas são passageiras, por que não tê-las e aproveitá-las ao máximo? Para que minimizá-las esperando uma gasosa recompensa advinda de um pretenso “outro mundo”, espiritual e imaterial, se nem sequer uma certeza mínima de que ele existe, nós temos? Por que aguardar o além se o agora, por mais passageiro e finito que seja, é tudo o que realmente temos?

Em suma, Sic Transit Gloria Mundi! Assim, como os prazeres da vida são passageiros, penso que devamos desfrutá-los ao máximo enquanto eles existirem, sem qualquer culpa ou temor; como as alegrias mundanas são efêmeras, devemos nos esforçar para multiplicá-las, sem medir esforços; e se nossas glórias mundanas são mesmo transitórias, que elas sejam, além de transitórias, magníficas.

Ao final, que todos descansemos em paz.
Postado por José Cantos 

 
 

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