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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

VOLTAIRE - VIDA, INICIAÇÃO E MORTE


Voltaire é o pseudônimo de François-Marie Arouet. Apesar de ter sido considerado uma "entidade demoníaca" por seus ilustres adversários, François-Marie nasceu como qualquer bom cristão, filho de um tabelião honesto e de mãe culta e aristocrática. Isso foi no dia 21 de novembro de 1694, em Paris.

Na minha opinião, essa data deveria ser proclamada Feriado Mundial para que todos refletissem sobre honestidade, requinte e distinção de porte. François-Marie estudou com os padres jesuítas que o consideravam excepcional talento, mas “um refinado patife”. Entretanto, foi o refinamento desse “patife” que proporcionou centenas de reformas na França, transformando radicalmente o modo de pensar da humanidade a partir do século XVIII.

Suas ideias (liberdade de imprensa, o sistema imparcial de justiça criminal, liberdade religiosa, leis tributárias mais justas, educação laica, e redução dos privilégios da nobreza e do clero) repercutem até hoje no mundo civilizado.

 De sua estreita ligação com as mentes iluminadas, desenvolveu teses visando amplas reformas sociais.

Em todas elas, acertou em cheio! Combateu abertamente as rígidas normas de censura clerical e, apesar de não filiado a nenhuma igreja, defendeu abertamente os protestantes perseguidos na França (caso Jean Calas).

Nunca se importou de fazer amigos que lhe custassem o sacrifício de suas opiniões libertárias. Nunca recebeu medalhas ou comendas por isso, mas angariou uma multidão de inimigos e sérias complicações em sua vida particular.

Voltaire não era um ateu no sentido comum do termo ou conforme o entendimento obtuso de seus detratores.

 Era um deísta: questionava a idéia de revelação divina e considerava a razão capaz de admitir um Deus sem a necessidade de práticas religiosas, rituais, templos, hierarquias e castas sacerdotais.

 O deísmo nasceu entre os antigos gregos com a idéia de "causa-primeira"; o conceito foi desenvolvido por cientistas britânicos e pensadores italianos: Galileu Galilei quase foi parar na fogueira por causa disso e Isaac Newton teve que "Dar nó em pingo d'água" para não ter a cabeça decepada.

Dessa forma, mesmo quando Voltaire era aluno dos piedosos jesuítas, recusou-se a crer num deus que servia apenas aos interesses do reis e dos papas. Aceitou brincar de "gato e rato" com a lâmina afiada de Dâmocles: foi bajulado por reis e rainhas, inclusive Frederico II da Prússia que tentou seduzi-lo para sua corte de cientistas e escritores bajuladores que parasitavam no palácio de Sans-Souci.

 Frederico deu-se mal: Voltaire, sempre compromissado com a verdade e a igualdade social, ridicularizou os péssimos versos do monarca. Denunciou a promiscuidade sexual da corte e as sérias dificuldades políticas vividas em Potsdam por conta de o prussiano "detestar as mulheres e ter outras preferências para seus prazeres".

Acusou o pensamento íntimo do rei que consistia numa "liberdade relativa" onde os cidadãos nada mais eram do que servos cabisbaixos das ordens do Estado. Mais ou menos como hoje, só que os voltaires do nosso século estão amordaçados ou comprados.Voltaire cometeu apenas um equívoco: ao ser convidado para ouvir uma criança de 12 anos de idade tocar violino e cravo – Mozart - o velho de 74 anos, já surrado pelas futilidades da corte, desconfiou e demonstrou impaciência; deu de ombros e preferiu ficar quieto em Casa. Mozart nunca o perdoou por isso, nem mesmo quando tomou conhecimento de que tinham se tornado Irmãos de Maçonaria.

Voltaire foi iniciado no dia 7 de fevereiro de 1778 na Loja Maçônica “Les Neuf Soeurs” de Paris, três meses antes de sua morte. Os cronistas narram a cerimônia como uma das mais brilhantes da história da maçonaria mundial.

O Venerável Mestre Lalande, que dirigiu a sessão, desceu do altar e foi até a porta do Templo para receber, sob o aplauso incessante dos presentes, o ilustre octogenário. Voltaire ingressou entre colunas apoiado no braço de Benjamin Franklin, embaixador dos EUA na França.
 A sessão foi conduzida na presença de 250 irmãos. Voltaire foi revestido com o avental que a viúva de Helvetius fez questão de lhe ceder.

 Essa iniciação teve Grande significado na história da Ordem Maçônica: aconteceu dois anos após a redação da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América e onze anos antes da tomada da Bastilha, símbolo político da monarquia, que marcou o início da Revolução Francesa.

 Naquela memorável noite de 7 de fevereiro de 1778 os revolucionários da América e da Europa e toda a Maçonaria prestava uma justa homenagem ao Grande arquiteto das reformas políticas e sociais, François-Marie Arouet, o Voltaire.

 A França e OS 250 maçons reunidos na Loja “Les Neuf Soeurs” estavam enviando um recado ao rei e ao clero. Muitas lembranças devem ter ocorrido à mente do ancião durante toda a Iniciação. De certo, lembrava-se de seus vinte e três anos quando foi mandado preso para a Bastilha.

 Foi naquela terrível masmorra que ele adotara o nome Voltaire. E, por estranha coincidência, era o ano de 1717 quando nascia a Maçonaria tal como a conhecemos em nossos dias: quatro lojas inglesas se reuniram para formar a então Grande Loja de Londres. Imagino que passava pela memória de Voltaire a época em que preferira o exílio na Inglaterra. Foi em Londres que ampliara suas convicções e paixão pelos ideais de liberdade, tolerância e total repúdio ao fanatismo e à hipocrisia.
 Adotou para si a liberdade de expressão dos ingleses que, apesar do conservadorismo reinante, escreviam o que bem entendiam ser proveitoso para a política, as artes e as ciências. Manteve contatos com o empirista Berkeley, frequentou os círculos de Young e Pope.

Assimilou as idéias satíricas de Swift, autor de "As Viagens de Gulliver", e estudou as obras de Newton propagando suas ideias na França com as "Cartas filosóficas".

 Aquela Iniciação era uma formalidade, pois há homens que, a exemplo de Voltaire, já nascem maçons; e há os que envelhecem nas Lojas sem compreenderem o que fazem ali. Passaram-se três meses de sua Iniciação e sobreveio-lhe a morte.

 Não sabemos, ao certo, se Voltaire teve a feliz oportunidade de comparecer a outras sessões de Loja para participar de elucidativos debates sobre o cardápio das festas da ágape ou da escolha da banda que haveria de abrilhantar o baile anual. O último suspiro - e talvez a última risada íntima - ocorreu em Paris no dia 30 de maio de 1778.

 Seus inimigos pagaram uma boa gratificação à enfermeira Sidonie-Marie que presenciou seus últimos momentos, para que assegurasse a todos que o velho filósofo morrera gritando e pedindo perdão por suas idéias.

 A verdade é que Voltaire, após uma hemoptise, repousou em paz: tinha apenas três meses de Maçonaria e 84 anos dedicados ao bem da humanidade.

O virtuoso bispo de Troyes escreveu um ordem proibindo que o venerando corpo de Voltaire fosse sepultado em solo sagrado por tratar-se de "um ser satânico, um estúpido ateu e libertino". Tarde demais: o pároco da abadia de Scellieres comunicou ao bispo que Voltaire já havia sido sepultado na abadia, ao lado de virtuosos santos e santos bispos, sob a fumaça beatífica do melhor dos incensos e ao som dos mais piedoso cânticos gregorianos.Hoje, a estátua e a tumba onde se encontram os restos de Voltaire estão no Panthéon de Paris, no Quartier Latin.



Autoria: José Maurício Gui

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