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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O APRENDIZ IMPERFEITO


Aprender a partir do percebimento das imperfeições, não dos outros, mas de si, este é o único e verdadeiro aprender.

Aprendiz no sentido de estar apto a aprender, a compreender aquilo que se vivencia, para então assimilar como experiência definitiva, que será incorporada a si mesmo. Imagine um paraíso repleto de coisas perfeitas, onde tudo seria regido pela mais perfeita harmonia, sem falhas, sem nada para ser corrigido, ampliado, ajustado, que papel então teria seus inquilinos? 

Estes não estariam mais sujeitos a aprender coisa alguma, uma vez que não mais existiriam objetivos a serem conquistados, nem falhas a serem reparadas. Quando se observa o crescimento de qualquer coisa, logo se percebem os vários estágios, cada qual com seus aspectos peculiares, que delimitam claramente fases de transição, onde a transformação cíclica é a única certeza. Entre uma fase e outra, há a transferência de um estágio imperfeito para outro mais adequado, mas, jamais perfeito.

Uma criança, por exemplo, ao crescer fisicamente, também torna possível ao seu cérebro assimilar novos experimentos, pois ganha nova capacidade mental. Ela não deixa de ser criança, mas se transforma em outra mais capaz. Os limites próprios do primeiro estágio desaparecem, são substituídos por um modelo mais eficaz, mais adequado à nova realidade, que é uma necessidade desse crescimento físico. 

O
 constante e sempre cíclico transformar-se é que caracteriza aquilo que é eterno. Não existe o eterno estático, pois este não poderia escapar das leis de transformação de si mesmo, onde aquilo que não muda, definha e morre. É uma lei natural, o que não se transforma, ou se adéqua, ou melhora se desgasta até o fim. A eterna criança envelheceria como criança, não passaria pelos demais estágios existenciais, não teria sentido sua existência. Para os pais, não iria diferir em nada de um boneco de plástico desses que já existem nas lojas, que até são capazes de falar, cantar, comer, que simulam com perfeição uma criança pequena. 

Num mundo de perfeição, um aprendiz não teria nenhum espaço para sua transformação, sua experiência vital e espiritual, onde as falhas são seus verdadeiros mestres de conhecimento. Apenas em condições dessa natureza poderá ele progredir, se qualificar, deixar de ser potencial para se transformar em capaz. Deverá aprender a partir daquilo que é imperfeito, poderá então através desse experimento, através dos devidos ajustes em si mesmo, deixar para trás os estágios de menor capacidade, para os de maior capacidade.
 

Trata-se de um caminho espinhoso, uma vez que todos a sua volta, sem exceções, estarão na mesma trilha, dentro do mesmo modelo de viver imperfeito. Imperfeito quer dizer transitório, e perfeito significaria o permanente. Mas, não existe o permanente estático, por isso não existe o perfeito. Mas perfeito é o eterno ciclo de reciclagem, da transformação do inadequado para o mais adequado.
 

Perfeito é o aprendiz que se conscientiza disso, em cujo caminho a eternidade se revela, com suas infinitas possibilidades, seu eterno movimento de auto-ajustamento. E tudo isso são coisas perfeitas, o reconhecer-se imperfeito, o incompleto que vê na transformação de si mesmo progresso. Não se trata do transformar-se sem aprender, mas do aprender pelo transformar-se.
 

E
 assim o aprendiz se percebe imperfeito, por isso não julga nem a si mesmo. Apenas observa, pratica em si mesmo aquilo que aprendeu com suas próprias limitações e falhas. Não vê o perfeito como objetivo derradeiro, pois isto ele não conhece, mas nas próprias imperfeições a possibilidade de mudar. Não julga o mundo imperfeito a partir de si mesmo também imperfeito, mas observa em si tais imperfeições, compreende a necessidade de mudar, aprende com esse mudar. 

Observe o cíclico movimento da terra em volta do sol, onde nenhum dia é igual ao anterior. Amplie isso aos confins do universo, até onde nossa imaginação é capaz de alcançar, e o que se deduz são os eternos estágios, onde o ponto de origem de qualquer coisa, sempre aponta para sua transformação. Se essa transformação parece menos para nós, deve significar mais para outro, e assim por diante.
 

Uma pedra preciosa bruta se transforma em mais quando lhe tiram as arestas, logo, para esta, o menos significa mais.
 

Diante da imperfeição, finalmente, o aprendiz se torna capaz de transformar-se, de desenvolver novas qualidades, de migrar para novos estágios existenciais, mas nunca sem antes conhecer seus limites. Afinal de contas, um limite precisa ser percebido claramente, ou não haverá mudanças. Observar, perceber, e finalmente compreender a si mesmo, faculta a transformação, e esta significa que houve aprendizado. Eterno é seu movimento, perfeito o seu ritmo, perfeito a sua causa e efeito, perfeito é o eleger do imperfeito como a força motriz de todas as transformações.
(Ester Cartago)

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