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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

QUITE PLACET


Um maçom deve estar sempre quite para com a sua Loja, isto é, ter cumpridas as suas obrigações para com esta.

As obrigações mínimas do maçom perante a Loja respeitam ao dever de assiduidade, isto é, a comparecer em todas as sessões de loja para que for convocado, e o pontual pagamento da quota mensal.

Estar quite é cumprir estes deveres SEMPRE.
Sempre que um obreiro injustificadamente falte a uma sessão, viola o dever de assiduidade e, portanto, não está quite.

Sempre que se inicia um mês do calendário civil sem ter pagado a sua quota do mês anterior, não está quite.

Não está quite perante si próprio, perante a sua consciência.
Porque, deixando de cumprir o seu dever de assiduidade, sem justificação para tal, encomprido, podendo fazê-lo, o seu dever de pagar a sua quota mensal, o obreiro está, antes de mais, a faltar aos compromissos que assumiu, respectivamente, de assiduidade e de cumprir seu dever com o Tesouro da Loja.

E o cumprimento dos compromissos livremente assumidos é uma questão de honra!
Logo, o maçom que injustificadamente falte a uma sessão de Loja para que foi convocado, que se deixa sem razão que o justifique entrar em mora no cumprimento do seu dever de contribuição para as despesas da Loja, antes de tudo e cima de tudo sente-se ele próprio desonrado.

O atraso no pagamento das quotas pode ser remediado: basta pagar o que está em dívida e ficar-se-á quite.

Já o não cumprimento do dever de assiduidade causa sempre prejuízo.

À Loja porque fica privada do contributo do maçom.
E todos os contributos de todos os maçons da Loja são inestimáveis e imprescindíveis.

Do Mestre mais antigo ao Aprendiz mais recente, todos e cada um são essenciais para o aperfeiçoamento de cada um e global da Loja.
Mas o não cumprimento do dever de assiduidade prejudica, sobretudo, aquele que descumpriu.

E, de alguma forma, é incompreensível: pois não tomou o maçom a decisão de pedir a Iniciação para beneficiar da ajuda da Loja no seu crescimento pessoal, na sua jornada própria? E vai prejudicar a sua demanda, prescindir do contributo do grupo não comparecendo?

O tempo não para, não se pode rebobinar o filme. A única forma de remediar a falta sem motivo é diligenciar pelo estrito cumprimento do dever de assiduidade.
Assim se diluirá o atraso, assim se recuperará o trabalho que ficou um dia por fazer.
Assim se fica, de novo, quite.

Quite para com a Loja.
Mas, sobretudo – e principalmente! – quite perante si próprio!

O maçom tem, a todo o tempo, direito a que a sua Loja certifique que se encontra quite.

Se o fizer na constância e na permanência da ligação à sua Loja, é-lhe emitida uma declaração de good standing, com a qual poderá provar, perante qualquer outra Loja que visite ser um maçom quite, em boa posição, de pé e à ordem, perante a Loja, a Maçonaria e ele próprio.

Se o fizer no âmbito do processo de desvinculação da sua Loja – que é um direito que todo o maçom a todo o tempo pode exercer -, seja por entender dever adormecer, isto é, suspender a sua atividade maçônica ou por decidir mudar de Loja, é-lhe então emitido um atestado de quite.

Com esse documento, fica ultimada a sua desvinculação da Loja.

O maçom pode assim pedir a sua admissão a outra Loja, comprovando perante a mesma estar quite de todas as suas obrigações perante a Loja de que se desvinculou.
Ou, se simplesmente pretender suspender a sua atividade maçônica, pode, se e quando o entender retomá-la reintegrando-se na mesma ou em outra Loja, comprovando que cumpriu os seus deveres enquanto esteve em atividade maçônica, pelo que saberá voltar a cumpri-los ao retomá-la.

Mas, no fundo, o atestado de quite é apenas uma declaração num papel.
O que verdadeiramente interessa é que o maçom se sinta, ele próprio, pessoalmente, perante si mesmo, sempre quite.

E é para que assim seja que a Loja existe e se disponibiliza e auxilia e coopera.
Porque a razão de ser da Loja, da Obediência, da Maçonaria é, afinal, simplesmente, o maçom.

Cada um deles.

Cada um de nós. Livre, especial, insubstituível e... Quite!
Postado por José Cantos 

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